NFL proíbe dois jogadores de assinarem com qualquer franquia

Treinador da LSU, Lane Kiffin, que tentou recrutar os dois
Treinador da LSU, Lane Kiffin, que tentou recrutar os dois "ex-NFL", no jogo contra a Louisiana Tech, no sábado, 12 de setembro de 2026, em Baton Rouge, Louisiana. (Foto: Gerald Herbert)

A NFL tomou uma decisão tão incomum quanto a situação que a provocou. A liga informou às 32 franquias que Zxavian Harris e Dae’Quan Wright não podem visitar, participar de tryouts ou assinar com qualquer equipe da NFL durante a temporada de 2026. O motivo: os dois jogadores deixaram o futebol profissional para tentar retornar ao college football e jogar pela LSU.

Leia também: Lane Kiffin volta a Oxford como rival e Ole Miss reforça segurança para o duelo

O detalhe que torna o caso ainda mais curioso é que os dois sequer chegaram a disputar uma partida pela LSU. Depois de toda a disputa envolvendo a elegibilidade dos atletas, a universidade decidiu não colocá-los no elenco. Agora, a NFL também fechou as portas para os dois durante o restante da temporada.

Resultado: Harris e Wright ficaram sem poder jogar nem na NFL nem no college em 2026.

Como o caso inusitado na NFL começou?

Harris é defensive tackle e Wright é tight end. Os dois jogaram pela Ole Miss na temporada passada, quando a equipe chegou à semifinal do College Football Playoff.

Depois da temporada, ambos não foram selecionados no NFL Draft, mas receberam oportunidades como undrafted free agents.

Wright assinou com o Philadelphia Eagles após o Draft. Foi dispensado em agosto e, no dia seguinte, contratado pelo Cleveland Browns via waiver. Depois de cerca de duas semanas em Cleveland, acabou novamente dispensado.

Harris assinou com o New Orleans Saints em maio. Durante o training camp, porém, foi colocado na lista de non-football injury e posteriormente dispensado.

Sem conseguir permanecer nos elencos da NFL, os dois decidiram tentar um caminho bastante incomum: voltar ao college football.

E por que LSU?

A conexão era direta. Os dois haviam jogado na Ole Miss sob o comando de Lane Kiffin. Para a temporada de 2026, Kiffin deixou Ole Miss e assumiu o comando da LSU.

Quando surgiu a possibilidade de recuperar a elegibilidade universitária, Harris e Wright tentaram se juntar ao antigo treinador em Baton Rouge.

O problema era que as regras do college football não previam claramente o que fazer com jogadores que já haviam entrado no futebol profissional.

Os dois haviam entrado na universidade em 2022 e já tinham utilizado suas quatro temporadas de elegibilidade. Em 2025, porém, a NCAA adotou uma nova regra que passou a permitir cinco anos para disputar cinco temporadas para atletas que ingressaram na universidade a partir de 2023.

Harris e Wright ficaram fora dessa regra, mas entraram em uma ação judicial questionando a diferença de tratamento. Uma decisão judicial na Louisiana abriu temporariamente a possibilidade de que eles e outros atletas recuperassem uma temporada de elegibilidade.

SEC tentou impedir

A possibilidade de ex-jogadores profissionais retornarem ao college rapidamente virou uma questão maior.

Leia: Big Ten proíbe ex-jogadores da NFL de retornarem ao futebol universitário

Em agosto, a SEC aprovou uma regra proibindo atletas que já haviam assinado contratos profissionais ou entrado no processo de Draft de retornar às suas equipes universitárias. A Big Ten também adotou uma regra semelhante.

A decisão foi contestada judicialmente, e um juiz da Louisiana suspendeu temporariamente a aplicação da regra da SEC, abrindo caminho para que Harris, Wright e outros atletas buscassem novamente a elegibilidade.

Mesmo com a decisão judicial, a LSU acabou optando por não colocar os dois jogadores no elenco. A universidade abriu a temporada contra Clemson sem Harris e Wright e manteve os dois fora do roster.

Então eles poderiam simplesmente voltar para a NFL?

É aí que a história fica ainda mais estranha. A NFL já havia deixado claro em agosto que um jogador que deixasse a liga para voltar ao college não poderia retornar à NFL durante a mesma temporada.

O vice-presidente executivo da NFL, Troy Vincent, explicou que jogadores que optassem por voltar ao futebol universitário ficariam inelegíveis para jogar na NFL em 2026, podendo se tornar free agents para a temporada de 2027.

No dia 16 de setembro, porém, a liga reforçou essa posição em um memorando enviado às franquias.

O documento citou nominalmente Harris e Wright e afirmou que os dois eram elegíveis para o Draft de 2026, retornaram ao college e participaram das atividades de uma equipe universitária depois do início dos training camps da NFL. Por isso, não poderiam visitar, fazer tryouts ou assinar com equipes da NFL durante a temporada de 2026.

Mas eles nem jogaram pela LSU…

Esse é justamente o ponto mais curioso do caso. Harris e Wright tentaram voltar para a LSU e participaram do processo para integrar o programa, mas acabaram fora do roster da universidade.

Mesmo assim, a NFL considera que o fato de eles terem retornado ao ambiente do college depois do início dos training camps é suficiente para aplicar a regra de inelegibilidade durante 2026.

Assim, os dois ficaram em uma espécie de limbo:

NFL: não podem assinar em 2026.

College: não fazem parte do roster da LSU.

Resultado: não podem jogar em nenhuma das duas competições em 2026.

NFL alerta franquias sobre possíveis punições

O memorando também deixou claro que a responsabilidade de verificar a elegibilidade de um jogador é de cada franquia.

Caso uma equipe contrate ou permita atividades de um jogador considerado inelegível, a NFL poderá aplicar punições, incluindo multas e até perda de escolhas de Draft.

A liga também esclareceu que Harris e Wright são os jogadores identificados no memorando, mas que a lista não necessariamente representa todos os atletas elegíveis para o Draft de 2026 que tentaram retornar ao college.

Jogadores já estudam medidas legais

O caso pode ainda ganhar outro capítulo. O agente Drew Rosenhaus, que representa Wright, afirmou que o jogador está avaliando suas opções legais diante da decisão da NFL.

A NFL Players Association (NFLPA) também informou que está em contato com os representantes dos dois jogadores e que pretende analisar todas as opções para proteger seus direitos previstos no Collective Bargaining Agreement (CBA).

A situação é particularmente incomum porque envolve regras de três ambientes diferentes: NCAA, college conferences e NFL. Cada entidade possui suas próprias regras, enquanto as decisões judiciais estão alterando temporariamente algumas dessas restrições.

Afinal, é possível sair da NFL, voltar ao college e depois retornar à NFL?

Em princípio, sim, mas não na mesma temporada.

A posição anunciada pela NFL é que um jogador que deixar o futebol profissional para retornar ao college fica inelegível para jogar na NFL durante aquela temporada. A possibilidade de voltar à liga fica para a temporada seguinte.

No caso de Harris e Wright, porém, a situação se tornou ainda mais complicada porque eles também não conseguiram permanecer no roster da LSU.

Por isso, a pergunta que surgiu a partir desse caso não é apenas sobre dois jogadores.

O que acontece quando um atleta pode legalmente tentar voltar ao college, mas a NFL também impede seu retorno durante a mesma temporada?

Harris e Wright acabaram se tornando o primeiro grande exemplo desse novo conflito entre o futebol profissional e o college football em uma era na qual a fronteira entre os dois níveis está cada vez menos definida.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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