“O sonho apenas mudou de esporte”: o pai que cruzou o oceano para ver o filho ser campeão

Adilson e Thalys Almeida, pai e filho vivendo um sonho (Foto: Divulgação Lightnings)
Adilson e Thalys Almeida, pai e filho vivendo um sonho (Foto: Divulgação Lightnings)

Quando um filho sonha, muitas vezes esse sonho passa a pertencer também aos pais. No caso de Adilson Almeida, esse sentimento ganhou novos contornos ao atravessar o Atlântico para assistir o filho Thalys Almeida conquistar um título no futebol americano na Alemanha.

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Ex-jogador de futebol profissional e hoje soldador em uma multinacional japonesa no interior de São Paulo, Adilson nunca imaginou que o esporte levaria seu filho para tão longe. Muito menos levantar um troféu na Europa.

O pai tem um sonho, aí o sonho do filho vira automaticamente o sonho do pai“, resume.

Do futebol ao futebol americano

Como todo ex-atleta, Adilson imaginava ver o filho seguir seus passos nos gramados. Atacante durante a carreira, ele defendeu equipes tradicionais do interior paulista, como Lemense, Guaçuano, Fernandópolis, Santa Ritense, Passa Quatro e Grêmio Osasco.

Quando Thalys nasceu, o destino parecia traçado.”Quando ele nasceu, achei que seguiria o caminho de jogador de futebol. Coloquei ele na escolinha e ele tinha dom para o esporte.”

Segundo o pai, o talento aparecia naturalmente. “Ele era aquele centroavante que sabia proteger a bola. Não era de correr muito, mas decidia jogo. Eu via um brilho diferente.”

Depois veio o basquete, e a impressão permaneceu. “Nos times da cidade e da escola ele também era o cara que resolvia as partidas.”

Um encontro que mudou tudo

A mudança aconteceu quase por acaso. Ao entrar no Clube de Campo Empyreo, em Leme (SP), Thalys conheceu Lucas Neri, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Leme Lizards. Primeiro praticou flag football de forma recreativa e, pouco depois, passou a ajudar o time nos jogos.

Foi Neri quem enxergou que aquele jovem poderia ir muito além. “Ele colocava o Thalys para ajudar como marcador de down e corrente nos jogos. Foi o Neri quem viu que ele tinha talento para jogar tackle football.”

Adilson nunca foi contra. “Para mim, estando no esporte, já estava bom.” Mas a primeira experiência como espectador foi um choque. “Meu Deus do céu… achei que iam acabar com o meu filho na pancada”, relembra entre risos ao recordar a estreia assistindo a um jogo entre Leme Lizards e Ponte Preta Gorilas.

Caminho para o topo do Brasil

Após disputar o Campeonato Paulista pelo Lizards, Thalys decidiu buscar um desafio maior.

Fez testes no Rio Preto Weilers, equipe que vivia uma fase de crescimento sob o comando do head coach Xandão e do coach Heitor. Foi aprovado. A decisão mudaria sua carreira.

Em 2023, conquistou o Campeonato Brasileiro pelo Weilers, derrotando o Galo na grande final. Veio também a convocação para a Seleção Brasileira de Flag Football, sob comando do coach Heitor. Vestindo a camisa das Onças, tornou-se campeão sul-americano. Era apenas o começo.

O sonho alemão

A oportunidade de jogar na Alemanha surgiu logo depois. Assim que chegou ao novo clube, Thalys confidenciou ao pai: “Esse time vai ser campeão.” Mais do que isso, fez um pedido. Queria a família presente no momento da conquista.

A mãe preferiu permanecer no Brasil ao lado do filho caçula, de apenas quatro anos, por causa das mais de 14 horas de voo. Adilson resolveu encarar a aventura sozinho. “Nunca tinha feito uma viagem internacional.”

Dupla no Signal Iduna Park "Westfalenstadion"
Dupla no Signal Iduna Park “Westfalenstadion”

E foi o próprio filho quem organizou tudo. “Ele fez meu passaporte, cuidou do visto, comprou as passagens. Eu não paguei nada. Foi me buscar no aeroporto, me deu camisa do time, uma camisa do Borussia Dortmund, me levou para conhecer o estádio, fizemos tour, fomos a museus, shopping… Voltei com as malas lotadas”, conta, sorrindo.

A viagem terminou exatamente como os dois haviam imaginado. Pai e filho comemoraram juntos, dentro do estádio, o título conquistado na Alemanha. “Fechamos a viagem vendo ele ser campeão ao vivo. Foi uma viagem dos sonhos.”

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Orgulho que não cabe no peito

Além do sucesso dentro de campo, outra conquista emocionou ainda mais o pai. Thalys recebeu uma bolsa de estudos para cursar Administração em uma universidade local, onde estudará integralmente em alemão. “Estou muito orgulhoso e feliz com tudo.”

Durante a viagem, Adilson ainda participou de um podcast do clube alemão, com tradução feita pelo próprio filho. “Foi engraçado. O Thalys traduzindo tudo para mim”, brinca.

Um exemplo de onde o esporte pode levar

Hoje, Adilson voltou à rotina no Brasil, trabalhando como soldador em uma multinacional japonesa. Sua esposa, inspetora de qualidade na mesma empresa, continua acompanhando de longe a trajetória do filho.

A distância não diminui o orgulho. Muito pelo contrário. Do menino que começou no futebol, passou pelo basquete, descobriu o futebol americano no interior paulista e hoje coleciona títulos no Brasil, pela Seleção Brasileira e na Alemanha, ficou uma certeza para o pai. “Começou no FABR e hoje está brilhando no mundo.”

Mais do que acompanhar uma carreira vencedora, Adilson viveu algo que poucos pais têm a oportunidade de experimentar: ver um sonho mudar de esporte, crescer, cruzar fronteiras e, no fim, perceber que o verdadeiro troféu sempre foi caminhar ao lado do filho em cada etapa dessa jornada.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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