Samoa Americana derruba invencibilidade de 14 anos dos EUA

Irmão de Tua Tagavailoa, Taulia, liderou a Samoa Americana para um feito histórico Foto: Florian Wiegand

Nesta sexta-feira, 14 de agosto, em um dos maiores feitos da história do flag football, Samoa Americana venceu os Estados Unidos por 38 a 32 no mundial de 2026, em Düsseldorf, na Alemanha. A vitória encerrou uma sequência de 14 anos sem derrotas da seleção americana em competições internacionais.

O flag Football acaba de testemunhar um dos maiores resultados de sua história.

A última derrota dos Estados Unidos em uma competição internacional havia acontecido na final do mundial de 2012, diante da Áustria. Desde então, os americanos conquistaram os Mundiais de 2014, 2016, 2018, 2021 e 2024, construindo uma hegemonia praticamente absoluta na modalidade. E foi justamente uma das menores nações participantes que conseguiu interromper essa sequência.

O protagonista da noite foi Taulia Tagovailoa.

Irmão mais novo do quarterback da NFL Tua Tagovailoa, Taulia comandou o ataque de Samoa Americana e teve uma atuação espetacular: cinco passes para touchdown na vitória por 38 a 32.

Taulia chegou à seleção depois de construir uma carreira importante no futebol americano. No futebol universitário, passou por Alabama e Maryland, onde foi eleito duas vezes para o segundo time All-Big Ten e recebeu o prêmio de Polynesian College Football Player of the Year em 2023.

Confira também: Team USA reúne especialistas do flag e nomes do tackle

Depois de não ser selecionado no Draft da NFL de 2024, o quarterback seguiu sua carreira profissional em diferentes ligas, incluindo CFL, ELF e UFL, antes de representar Samoa Americana no flag Football. Agora, seu nome entra para a história da modalidade.

Uma seleção repleta de experiência

Apesar de ser estreante no mundial, Samoa Americana não chegou a Düsseldorf apenas para participar. A seleção montou seu grupo combinando jogadores experientes do tackle, vários com experiência no college (FBS/FCS) e com atletas da nova geração do flag, estratégia que a própria IFAF destacou antes do campeonato.

Entre os principais nomes está Alijah Holder, defensive back que jogou college pela Stanford Cardinal, foi para os Denver Broncos onde atuou em 10 jogos, principalmente em special teams. Além disso, chegou a assinar com Detroit Lions, mas foi dispensado antes da temporada regular. Passou também por times da USFL e XFL.

Outro jogador de destaque é Jahcour Pearson, recebedor que construiu carreira no futebol americano, incluindo passagem pela XFL e UFL. Na universidade, Pearson brilhou por Western Kentucky e posteriormente por Ole Miss.

Também merece atenção Tai Tiedemann, quarterback, wide receiver e defensive back. Tiedemann foi apontado pela própria IFAF como o principal jogador para ficar de olho na equipe antes do mundial. Ele jogou tackle no high school e beisebol no college (Long Beach City College – LBCC). No beisebol foi pitcher e foi escolhido na 8ª rodada do MLB Draft de 2016, pelos Texas Rangers.

Foi justamente Tiedemann quem já havia chamado atenção durante a campanha de classificação para o mundial. Na vitória sobre a China por 41 a 34, que garantiu a vaga de Samoa Americana, o companheiro Vailele Peko Jr. chegou a destacar sua atuação, afirmando que Tiedemann havia sido o MVP daquela partida.

De estreante a ameaça ao título

A trajetória torna a vitória ainda mais impressionante. Samoa Americana está disputando o mundial de flag pela primeira vez. A equipe garantiu a classificação depois de conquistar o bronze no Campeonato Asia-Oceania de 2025, derrotando a China por 41 a 34.

No mundial, entretanto, o time já mostrou que não veio apenas para fazer história. Na estreia, Samoa Americana derrotou a Austrália por 21 a 7. No jogo seguinte, veio o confronto contra o gigante do esporte: os Estados Unidos.

Essa vitória não apenas coloca Samoa Americana em evidência no mundial, mas também muda a percepção sobre a seleção no cenário internacional.

O pequeno país que parou a maior potência

Com uma população de aproximadamente 47 mil pessoas, Samoa Americana possui uma das menores populações entre as seleções participantes. Ainda assim, o território tem uma enorme tradição no futebol americano e produziu diversos jogadores que chegaram à NFL.

Agora, essa tradição começa a ganhar uma nova dimensão. O território que durante décadas foi conhecido principalmente por produzir grandes jogadores de tackle acaba de produzir um dos maiores resultados da história do flag internacional.

E em um momento ainda mais especial: faltam apenas dois anos para a estreia olímpica da modalidade nos Jogos de Los Angeles 2028. Samoa Americana chegou à Alemanha como estreante. Sai do confronto contra os Estados Unidos como uma das grandes histórias do mundial. E, depois de 14 anos, o mundo do flag finalmente viu os Estados Unidos perderem novamente.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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