
Azzurri não repetem os 12 jogadores campeões europeus em 2025, promovem cinco mudanças no elenco e, mesmo assim, chegam à final do mundial de 2026.
A Itália mostrou em Düsseldorf, na Alemanha, que sua força no flag football masculino vai muito além de um grupo específico de jogadores. Atual campeã europeia, a seleção italiana chegou ao mundial de 2026 com uma formação significativamente modificada em relação à equipe que conquistou o título continental em Paris, em setembro de 2025.
Dos 12 jogadores que levantaram a taça europeia, sete permaneceram no elenco mundialista, enquanto cinco foram substituídos. Ainda assim, a Itália avançou até a decisão, venceu cinco partidas consecutivas e terminou o torneio como vice-campeã mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos, por 46 a 26. O resultado também garantiu aos italianos uma vaga histórica nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Campeã da Europa com 12 jogadores
Na conquista do Euro Flag 2025, a Itália foi campeã europeia pela primeira vez ao derrotar a Áustria por 27 a 19 na decisão. A convocação oficial daquele torneio tinha 12 jogadores:
- Austin Albericci
- Simone Alinovi
- Jordan Bouah
- Matteo Galante
- Daniele Latorraca
- Paolo Lazzaretto
- Vincent Papale
- Riccardo Petrilli
- Raffaele Rotelli
- Frank Stola
- Tamsir Seck
- Luke Zahradka
A própria FIDAF (federação italiana) confirmou essa formação antes do campeonato europeu, destacando que a seleção masculina entrava em Paris com grandes expectativas depois do sétimo lugar obtido no Europeu de 2023.
O título foi histórico: a Itália conquistou pela primeira vez o Campeonato Europeu masculino de flag.
Leia também: A queda histórica da seleção masculina de Flag Football da Áustria
Cinco mudanças para o Mundial
Para o mundial de 2026, realizado em Düsseldorf, o elenco italiano apresentado foi:
| Nº | Jogador | Situação em relação a 2025 |
| 0 | Jared Gerbino | Novo |
| 1 | Luke Zahradka | Permaneceu |
| 2 | Henry Blackburn | Novo |
| 8 | Andrea Fantin | Novo |
| 10 | Austin Albericci | Permaneceu |
| 13 | Vincent Papale | Permaneceu |
| 16 | Andrea Volonnino | Novo |
| 20 | Simone Alinovi | Permaneceu |
| 23 | Jordan Bouah | Permaneceu |
| 26 | Riccardo Petrilli | Permaneceu |
| 29 | Daniele Latorraca | Permaneceu |
| 81 | Claudio Corrado | Novo |
A renovação foi relevante, mas não radical: 58% do elenco permaneceu, enquanto 42% foi renovado.
A Itália mostrou “profundidade de elenco”
A grande questão era saber se a troca de cinco jogadores afetaria o desempenho de uma equipe que havia acabado de conquistar o principal título europeu. A resposta veio em campo.
Na primeira fase do mundial, a Itália derrotou Grã-Bretanha, Panamá e França, terminando o grupo na primeira colocação e invicta. Nas quartas de final, superou a anfitriã Alemanha por 38 a 22.
Na semifinal, veio o confronto que valia muito mais do que uma vaga na decisão. A Itália derrotou o Canadá por 41 a 36, garantindo simultaneamente a classificação para a final do mundial e a histórica vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
A campanha também mostrou a importância tanto dos remanescentes quanto dos novos integrantes. Luke Zahradka continuou como quarterback e uma das principais referências ofensivas. Jordan Bouah e Vincent Papale permaneceram como peças importantes do ataque, enquanto Jared Gerbino, Henry Blackburn e Claudio Corrado ganharam protagonismo durante a campanha.
Gerbino e Corrado aparecem na final
Na decisão contra os Estados Unidos, a Itália encontrou a seleção que continua sendo uma das maiores referências da modalidade.
Os americanos venceram por 46 a 26, mas a partida também evidenciou a contribuição de jogadores que não faziam parte do grupo campeão europeu de 2025.
Jared Gerbino, uma das novidades do elenco mundialista, chegou a marcar durante a campanha e também participou da final antes de deixar o campo lesionado. Já Claudio Corrado, outro dos cinco novos nomes, marcou o último touchdown italiano da competição.
Henry Blackburn também teve participação importante na decisão, atuando inclusive no ataque e recebendo a conversão de dois pontos após o touchdown de Corrado.
Do outro lado, os nomes que permaneceram da equipe campeã europeia continuaram exercendo papel fundamental. Zahradka encontrou Bouah para um touchdown na decisão, enquanto Alinovi marcou uma safety na segunda metade da partida.
Não foi uma seleção completamente nova e esse talvez seja o ponto mais importante
O caso italiano é particularmente interessante porque pode passar a impressão, olhando apenas os dois cards de convocação, de que a seleção campeã europeia foi praticamente abandonada, mas os números mostram outra realidade.
Sete jogadores da equipe campeã europeia continuaram no projeto, incluindo o quarterback Luke Zahradka, Austin Albericci, Simone Alinovi, Jordan Bouah, Vincent Papale, Riccardo Petrilli e Daniele Latorraca.
Ou seja, a Itália não precisou escolher entre experiência e renovação. O processo combinou as duas coisas.
A preparação para o mundial já demonstrava essa estratégia. Em março, no Inter Flag Madrid, a comissão técnica italiana havia utilizado um grupo ampliado que reunia vários dos futuros mundialistas e outros atletas que disputavam espaço na seleção. Na ocasião, a equipe chegou à final do torneio espanhol, perdendo para a França.
De campeã europeia a potência mundial
O vice-campeonato de Düsseldorf coloca a Itália em uma posição ainda mais relevante no cenário internacional.
Em 2025, os italianos haviam conquistado seu primeiro título europeu. Menos de um ano depois, chegaram à final do mundial, eliminando Alemanha e Canadá no mata-mata e terminando o torneio com cinco vitórias antes da derrota para os Estados Unidos.
E há um detalhe que torna o resultado ainda mais significativo: a Itália conseguiu isso sem repetir integralmente a escalação que havia conquistado a Europa.
O que o mundial de 2026 mostrou, portanto, não foi apenas que a Itália possui uma excelente geração de jogadores. Mostrou também que o país construiu profundidade suficiente para renovar parte de sua seleção sem deixar de competir pelo título mundial.
De campeã da Europa a vice-campeã do mundo em menos de um ano, a Itália chega a Los Angeles como uma das seleções que ajudaram a transformar o flag em uma nova potência esportiva internacional.


