Cinturão invisível: Qual time é o “campeão linear” do Brasil?

Croco conquista o tetracampeonato no Couto Pereira em 2025 e tira o cinturão do Mariners (Foto: Tiago Munden)
Croco conquista o tetracampeonato no Couto Pereira em 2025 e tira o cinturão do Mariners (Foto: Tiago Munden)

Enquanto o futebol possui o tradicional Campeonato Mundial Oficioso de Futebol (Unofficial Football World Championships – UFWC), em que o “título mundial” é transmitido ao time que derrota o detentor do cinturão, o futebol americano também pode ser analisado pela mesma lógica.

No cenário internacional de seleções, o chamado cinturão linear está atualmente com a Turquia, que conquistou o posto ao derrotar os Estados Unidos na copa do mundo. A ideia é simples: o campeão só perde o título quando é derrotado em campo, independentemente de torneios oficiais.

Seguindo esse conceito, um levantamento da história do futebol americano brasileiro mostra quem seria o campeão linear nacional desde a realização do primeiro campeonato brasileiro da modalidade.

Tudo começou em 2009, quando o Rio de Janeiro Imperadores conquistou o primeiro título nacional da história. Como campeão inaugural, a equipe carioca passou a ser considerada a primeira detentora do cinturão brasileiro.

A partir daí, o título passou a ser transferido apenas quando o detentor era derrotado. O primeiro a tomar o cinturão foi o Arsenal, ao vencer o Imperadores na semifinal do Campeonato Brasileiro de 2010. Coincidentemente, o time de Cuiabá também conquistaria o título nacional naquele mesmo ano.

Desde então, a trajetória do cinturão em sua maioria acompanhou a história dos campeões brasileiros.

Em 2011, o cinturão passou por Gladiators e Croco antes de retornar ao Imperadores, que encerrou a temporada conquistando também o Brasil Bowl. Em 2012, Croco e Arsenal alternaram a posse até que o Arsenal voltou a terminar o ano como campeão nacional.

Nos anos seguintes, o domínio do Croco ficou evidente. Em 2013, a equipe conquistou o cinturão na semifinal nacional e, dias depois, confirmou o título brasileiro diante do João Pessoa Espectros. Em 2014, manteve o cinturão durante toda a temporada e conquistou novamente o campeonato nacional.

A única grande exceção aconteceu em 2015. O cinturão deixou de acompanhar o campeão brasileiro e percorreu um caminho curioso pelo Sul do país. Após passar por HP (único time a conquistar título paranaense além do Croco), Croco e Arsenal, acabou nas mãos do Foz Black Sharks, que encerrou o ano como detentor do título linear, mesmo sem conquistar o campeonato nacional. Foi o único momento, desde a criação do cinturão, em que o campeão brasileiro terminou a temporada sem ser o dono do cinturão.

Em 2016, a sequência voltou à normalidade. O cinturão passou por Black Sharks, HP, Croco e chegou ao Rex, que também levantou o título brasileiro naquele ano.

Depois disso, a coincidência entre cinturão e campeão nacional tornou-se praticamente uma regra. O Sada Cruzeiro encerrou 2017 como campeão linear e nacional. Em seguida vieram Galo, Espectros, novamente o Rex, o Galo, o Mariners e, por fim, o Croco.

A trajetória completa dos detentores do cinturão:

  • 2009 – Rio de Janeiro Imperadores (campeão inaugural)
  • 2010 – Arsenal
  • 2011 – Gladiators → Croco → Imperadores
  • 2012 – Croco → Arsenal
  • 2013 – Istepôs → Croco
  • 2015 – HP → Croco → Arsenal → Foz Black Sharks
  • 2016 – Black Sharks → HP → Croco → Rex
  • 2017 – Croco → Sada Cruzeiro
  • 2019 – Espectros
  • 2022 – Galo → Rex
  • 2023 – Almirantes → Galo
  • 2024 – Mariners
  • 2025 – Croco

O levantamento revela uma curiosidade: em praticamente toda a era moderna do futebol americano no Brasil, o cinturão terminou a temporada nas mãos do campeão nacional. Isso aconteceu com Arsenal (2010 e 2012), Imperadores (2011), Croco (2013, 2014 e 2025), Rex (2016 e 2022), Sada (2017), Galo (2023) e Mariners (2024).

A única temporada fora desse padrão foi justamente 2015, quando o Foz Black Sharks terminou o ano como campeão linear sem conquistar o título brasileiro.

Assim, o Croco, atual tetracampeão brasileiro, também pode ser considerado o campeão linear do futebol americano nacional, mantendo vivo um cinturão simbólico no Brasil e adiciona uma nova forma de revisitar os grandes confrontos. Nessa temporada o Brown Spiders quase conquistou o cinturão pelo campeonato paranaense, não deu, em seguida o Croco enfrentou Istepôs (que em 2013 chegou a ficar com o cinturão) na estreia pela Superliga, mas o Croco ainda está com o título linear.

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Qual time vai conseguir tirar o cinturão do Croco na temporada 2026?

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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