“Viagem de negócios”: Schottenheimer minimiza gramado e elogia o Rio

Brian Schottenheimer, head coach dos Cowboys, antes do Rio Game Foto: Victor Francisco / Salão Oval

Brian Schottenheimer chegou ao Rio de Janeiro com uma mensagem repetida em praticamente todas as respostas: o Dallas Cowboys não veio passear. A expressão que ele usou, “business trip”, apareceu ao menos três vezes na coletiva desta sexta-feira, realizada no centro de treinamento do Flamengo, e serviu de justificativa para quase tudo, desde a ausência de programação turística até a decisão de desencorajar a vinda das famílias dos jogadores.

“Fomos muito diretos com os caras desde o começo”, disse o treinador, ao ser questionado sobre como a comissão lidou com os familiares que queriam acompanhar a delegação. Segundo ele, a resposta padrão a quem perguntava se haveria tempo livre para isso ou aquilo era “provavelmente não”. O resultado, pelo relato do próprio técnico, é que poucos parentes desembarcaram no Rio.

É o sexto jogo internacional de Schottenheimer como integrante de uma comissão técnica, mas o primeiro como head coach. E a experiência apareceu sobretudo na forma como ele tratou o assunto que mais interessa ao torcedor brasileiro.

O gramado do Maracanã para Cowboys x Ravens pela NFL

Perguntado sobre o estado do campo e sobre o reforço com fibras sintéticas, o treinador não entrou no tom alarmista que marcou a semana. Disse que confia no trabalho em andamento, que não tem dúvidas de que o gramado estará em boas condições e que a organização vem trabalhando sem descanso para isso. Acrescentou, sem detalhar, que a equipe tem planos alternativos caso seja necessário.

A única pista concreta de preparação específica apareceu em outra resposta, sobre as chuteiras de sete travas. Schottenheimer disse não ser especialista no assunto, mas relatou que os jogadores se sentem mais confortáveis com elas, que o modelo agarra melhor o solo e que o clube trouxe estoque suficiente para quem quiser usar. Vários atletas testaram as chuteiras no treino de quinta-feira, incluindo jovens que pediram aos equipment managers para experimentá-las no aquecimento. A maioria aprovou.

Em resumo: o técnico não comprou a polêmica, mas o time veio equipado para grama natural.

Cowboys preparam diferentes chuteiras para o Maracanã

O Brasil, o futebol e a camiseta em Creta

A parte final da coletiva foi dominada por perguntas da imprensa brasileira, e Schottenheimer pareceu genuinamente à vontade nelas. Ao ser questionado sobre o tamanho da torcida dos Cowboys fora dos Estados Unidos, contou um episódio de quando ainda era consultor do clube: viajou de férias com a família para a Grécia usando uma camiseta branca simples, apenas com a estrela, e ficou impressionado com a quantidade de conversas que aquilo iniciou. Foi ali, segundo ele, que entendeu o alcance da marca.

Sobre a pergunta mais brasileira da tarde, a de uma jornalista que pediu que ele explicasse ao público local por que o futebol americano tem corpos e funções tão diferentes dentro do mesmo time, o técnico se declarou acompanhante de futebol internacional, lembrou que o estádio dos Cowboys recebeu jogos da Copa do Mundo e respondeu que o esporte dele é o jogo coletivo definitivo: em quase toda jogada, vence o lado que tiver dez ou onze jogadores fazendo a coisa certa de forma conectada, e ao longo de 65 a 75 jogadas por fase, quem faz isso com mais consistência ganha.

Questionado ainda sobre a pressão de jogar diante da maior torcida do Brasil, foi direto: pressão existe em qualquer time da NFL e em qualquer clube profissional de futebol, o mundo assiste e tem o direito de criticar. E emendou uma declaração que vale ser guardada: o time não foge de dizer que espera estar em Los Angeles no dia 14 de fevereiro de 2027, data do Super Bowl LXI.

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

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