Com jogadores de Düsseldorf, NFL confirma liga global de flag football para 2027

Embaixadora global da NFL para o Flag Football, Gabi Bankhardt é a brasileira com potencial para jogar a liga profissional da NFL em 2027. Foto: Johannes Missenharter

A liga profissional de flag football desenvolvida pela NFL em parceria com a TMRW Sports será uma competição global e contará com atletas que disputaram o Mundial da IFAF em Düsseldorf, na Alemanha. A confirmação foi dada por Peter O’Reilly, vice-presidente executivo de International & League Events da NFL, em resposta ao Salão Oval durante coletiva da liga nesta quarta-feira (2), que tratou do Kickoff da temporada 2026 e dos jogos internacionais.

Questionado sobre o cronograma e sobre a participação de atletas internacionais, O’Reilly confirmou o lançamento para o próximo verão do hemisfério norte — meados de 2027 — e afirmou que a liga reunirá os melhores jogadores do mundo, incluindo os que estiveram no Mundial. Segundo o executivo, a competição terá presença central na América do Norte, mantendo a TMRW Sports como parceira operadora.

A informação amplia o escopo do projeto tal como vinha sendo apresentado. Até aqui, a comunicação oficial tratava do lançamento como alinhado à preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, sem detalhar a origem dos atletas. A confirmação de que a liga será aberta a jogadores estrangeiros abre, na prática, uma porta de carreira profissional para atletas de fora dos Estados Unidos — entre eles, potencialmente, brasileiros.

Quem brilhou em Düsseldorf e pode estar na liga em 2027

A confirmação de O’Reilly coloca sob os holofotes um grupo de atletas que já tem projeção internacional. O caso mais evidente é o da mexicana Diana Flores, quarterback e capitã da seleção que chegou ao Mundial como número 1 do ranking da IFAF e saiu da Alemanha com o bronze e uma das vagas olímpicas — além de ser, hoje, a atleta mais reconhecida da modalidade no mundo. Ao seu lado, a recebedora Mónica Rangel foi o alvo preferencial dos passes mexicanos em Düsseldorf.

Do lado do Canadá, campeão feminino e bronze no masculino, aparecem a quarterback Sara Parker e a recebedora Caroline Moquin-Joubert, dupla decisiva na final contra os Estados Unidos.

No masculino, o nome de maior apelo é o do quarterback Taulia Tagovailoa, ex-Maryland e irmão de Tua, que comandou a campanha histórica da Samoa Americana até o quinto lugar, incluindo a vitória sobre os Estados Unidos.

Mas talvez o nome que melhor traduza o que O’Reilly descreveu seja o do italiano Jordan Bouah. Recebedor do Raiders Roma e autor dos dois touchdowns italianos na final do Mundial, ele já viveu de futebol americano fora da Itália: foi draftado na primeira rodada pelo Ottawa Redblacks no draft europeu da CFL, jogou pelo Dresden Monarchs na liga alemã e foi campeão da ELF em 2022. Ao seu lado, o quarterback Luke Zahradka e o recebedor Vinny Papale — filho do ex-Eagles Vince Papale, cuja história inspirou o filme Invencível — completam o núcleo da primeira seleção a garantir vaga em Los Angeles.

Para o Brasil, a possibilidade de ver atletas como Gabi Bankhardt — embaixadora brasileira da modalidade — em uma liga profissional deixa de ser hipótese distante. Os critérios de seleção ainda não foram divulgados, mas o recado é claro: existe agora um horizonte profissional internacional para os milhares de praticantes no país, e alcançá-lo passa por dedicação e profissionalismo.

Saiba mais sobre o projeto de Liga Professional de Flag Football da NFL e TMRW Sports

A liga começou a tomar forma em dezembro de 2025, quando os clubes da NFL votaram em reunião para bancar financeiramente o desenvolvimento da competição, autorizando a 32 Equity a aportar até US$ 32 milhões. Em março de 2026, a NFL oficializou a TMRW Sports — fundada por Tiger Woods, Rory McIlroy e pelo executivo Mike McCarley — como parceira, escolhida após processo competitivo pela experiência com a TGL, a liga tecnológica de golfe criada com o PGA TOUR.

O grupo de investidores reúne lendas do futebol americano, como Peyton Manning, Joe Montana, Steve Young e Tom Brady, nomes do esporte feminino mundial, como Serena Williams, Alex Morgan e Billie Jean King, e investidores institucionais como Silver Lake, Sixth Street e Bessemer Venture Partners. A proposta prevê a competição no primeiro estádio construído especificamente para o flag football.

O cenário mundial do Flag Football

O movimento acompanha a expansão da modalidade, que hoje tem cerca de 20 milhões de praticantes no mundo e estreia olímpica marcada para Los Angeles 2028. Em agosto, a TMRW Sports anunciou a wide receiver Izzy Geraci, vice-campeã mundial com os Estados Unidos em Düsseldorf, como embaixadora do projeto, ao lado de Ashlea Klam e Vanita Krouch.

Em Düsseldorf, os Estados Unidos conquistaram o título masculino sobre a Itália por 46 a 26, e o Canadá venceu a final feminina diante das norte-americanas por 27 a 20. Canadá (masculino e feminino), Itália (masculino) e México (feminino) garantiram as primeiras vagas olímpicas, ao lado dos Estados Unidos, classificados como anfitriões.

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

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