
Uma pequena diferença na posição dos pés. Para a maioria das pessoas assistindo a um jogo de futebol americano, provavelmente não significaria nada. Para uma defesa que passou horas estudando vídeos do adversário, porém, pode ser uma informação valiosa.
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Foi exatamente isso que aconteceu com Dante Moore, quarterback de Oregon. Após a surpreendente derrota dos Ducks por 39 a 31 para Oklahoma State, uma tendência pré-snap do QB passou a ser dissecada por jogadores, analistas e torcedores nas redes sociais: a posição dos seus pés aparentemente indicava se a próxima jogada seria corrida ou passe.
Oklahoma State foi uma das primeiras equipes a perceber o padrão e conseguiu explorá-lo durante a vitória em Stillwater.
O que os Cowboys descobriram?
O detalhe estava na postura de Moore quando Oregon se alinhava no shotgun.
Segundo as análises que surgiram após a partida, quando os pés de Moore ficavam mais próximos, com pouca diferença entre eles, a tendência era de uma jogada terrestre. Já quando o quarterback deixava o pé direito mais recuado em relação ao esquerdo, criando uma postura mais aberta, a tendência era de passe.
Isso não significava que a defesa sabia exatamente qual jogada seria executada. O indicativo aparentemente permitia antecipar apenas se Oregon estava se preparando para correr ou passar.
Mas, em uma partida na qual cada fração de segundo conta, essa informação pode mudar completamente a reação de uma defesa.
E o mais curioso é que não foram necessariamente os treinadores que encontraram o padrão.
Após a vitória, o técnico de Oklahoma State, Eric Morris, revelou que os linebackers Ethan Wesloski e Tate Romney foram os responsáveis por identificar as tendências de Moore. Morris explicou que jogadores e treinadores vivem em constante preocupação com possíveis “tells”, pequenos movimentos ou comportamentos que entregam informações ao adversário.
“Coaches are always paranoid”, resumiu Morris ao explicar como os treinadores são paranoicos e procuram qualquer detalhe que possa revelar uma jogada.
Oklahoma State terminou aquela partida limitando Oregon a apenas 281 jardas totais. Moore completou 14 dos 29 passes para 191 jardas e dois touchdowns, enquanto os Ducks tiveram somente 90 jardas terrestres.
A descoberta viralizou
Depois da derrota, a história ganhou uma segunda vida nas redes sociais.
O analista Andrew Nemec foi um dos primeiros a destacar publicamente o padrão, e Landon Tengwall publicou no X uma comparação de imagens mostrando a diferença na postura de Moore. A publicação apontava justamente para o “stagger” (a diferença de posição entre os dois pés) como possível indicador de corrida ou passe.
A partir daí, torcedores começaram a fazer algo que normalmente fica restrito às salas de reunião dos programas universitários: rever jogada por jogada, parar o vídeo antes do snap e comparar a posição do quarterback com o resultado da jogada.
Uma das publicações que mais circulou mostra cinco jogadas de Oregon contra Indiana e faz exatamente esse exercício: a postura com os pés separados aparece associada a passes, enquanto a posição mais equilibrada aparece antes de corridas.
E o problema pode ser mais antigo
A parte mais incômoda para Oregon é que o padrão aparentemente não surgiu apenas contra Oklahoma State.
Analistas voltaram às imagens da derrota por 56 a 22 para Indiana no Peach Bowl, na temporada anterior, e encontraram exemplos que parecem seguir a mesma lógica.
Na primeira jogada daquele confronto, Moore aparece com uma postura mais aberta antes de uma tentativa de passe que terminou em interceptação retornada para touchdown por D’Angelo Ponds. Em outra sequência, uma postura mais equilibrada aparece antes de uma corrida.
O ex-linebacker de Indiana Aiden Fisher também afirmou posteriormente que os Hoosiers haviam identificado diversos “tells” no ataque de Oregon. Segundo ele, a equipe conseguia antecipar não apenas algumas situações de corrida ou passe, mas também determinadas rotas a partir do posicionamento dos jogadores.
E Moore talvez nem seja o único problema.
Tate Romney revelou que Oklahoma State também identificou tendências nos próprios jogadores da linha ofensiva de Oregon. Algumas posições adotadas pelos offensive linemen ajudavam os Cowboys a antecipar se a jogada seria terrestre ou aérea.
Ou seja, a questão pode ser menos sobre uma “mania” específica de Moore e mais sobre um conjunto de pequenas pistas que o ataque de Oregon estava oferecendo.
Moore admite que precisa corrigir
Depois que o assunto explodiu, Moore não tentou fugir da discussão.
O quarterback reconheceu que jogadores naturalmente desenvolvem tendências e afirmou que ficou satisfeito por o problema ter sido levado ao conhecimento da comissão técnica. Para ele, agora existe uma informação concreta que pode ser corrigida.
Na semana seguinte, depois da vitória de Oregon sobre Portland State, Moore ainda brincou com o assunto ao dizer que havia trabalhado justamente o alinhamento dos pés durante a preparação.
A situação também pode ser transformada em uma espécie de jogo de gato e rato.
Se a defesa sabe que determinado posicionamento significa passe, Oregon pode começar a alterar deliberadamente sua postura para fazer o adversário acreditar que uma corrida está vindo. Da mesma forma, uma postura que antes indicava corrida pode ser utilizada antes de um passe.
O próprio Moore reconheceu essa possibilidade.
Quando assistir ao jogo vira uma investigação
É isso que torna o caso interessante.
Oklahoma State não precisava saber exatamente qual era a jogada desenhada por Oregon. Bastava encontrar uma pequena pista que reduzisse a quantidade de possibilidades antes mesmo de a bola ser colocada em jogo.
Depois que os Cowboys revelaram o que haviam percebido, a internet fez o restante.
Torcedores passaram a assistir aos vídeos de outro jeito: não olhando apenas para a bola, mas para os pés do quarterback, a postura dos offensive linemen e o posicionamento dos jogadores segundos antes do snap.
É uma lembrança de que, no futebol americano universitário, a preparação não termina quando começa o jogo. Às vezes, a partida é vencida ou perdida horas antes, durante uma sessão de vídeo ou até por causa de um detalhe de poucos centímetros no posicionamento dos pés.
No caso de Dante Moore, uma pequena “mania” pré-snap acabou se transformando em uma das histórias mais curiosas do início da temporada de college football.


