Uma história dos bastidores da NFL envolvendo Sean Payton e Mike Macdonald voltou à tona nesta semana. O técnico do Seattle Seahawks revelou que Payton chegou a ameaçar acusar publicamente a equipe de trapaça depois de descobrir que Seattle havia usado vídeos publicados por torcedores nas redes sociais para estudar os treinos do Denver Broncos.
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O episódio aconteceu em 2024, na primeira temporada de Macdonald como técnico dos Seahawks. Antes da estreia daquele ano, contra o próprio Broncos, membros da comissão técnica de Seattle encontraram vídeos gravados por fãs durante o training camp de Denver e publicados no X, antigo Twitter.
“Os fãs postam jogadas do training camp no Twitter, então é conhecimento público. Pegamos cerca de 100 jogadas do training camp deles. Estávamos estudando”, contou Macdonald na entrevista com Graham Bensinger.
Seattle utilizou esse material na preparação para o confronto da Semana 1. Os Seahawks venceram o Broncos por 26 a 20, dando a Macdonald sua primeira vitória como head coach da NFL.
Payton descobriu e a situação escalou
Segundo Macdonald, Payton ficou sabendo meses depois que os Seahawks haviam utilizado os vídeos e “perdeu a cabeça”. O técnico do Broncos teria entrado em contato com o general manager de Seattle, John Schneider, e ameaçado tornar pública uma acusação de espionagem semelhante ao “Spygate”, escândalo envolvendo o New England Patriots.
A preocupação de Payton, de acordo com o relato, era que Seattle tivesse enviado alguém para gravar secretamente os treinos de Denver ou utilizado algum método irregular para obter informações.
Macdonald afirmou que não foi isso que aconteceu. O material utilizado pela equipe estava disponível publicamente nas redes sociais e havia sido gravado por torcedores.
“Eu pensei: ‘Meu Deus. Nós não trapaceamos’”, contou Macdonald. Segundo ele, Payton também teria associado o caso ao escândalo de roubo de sinais envolvendo Michigan e Connor Stalions no futebol universitário.
A resposta dos Seahawks foi igualmente dura. Macdonald disse que Seattle avisou que processaria Payton caso ele tornasse pública uma acusação que a equipe considerava falsa. A disputa acabou não chegando à imprensa na época.
Uma “Guerra Fria” nos bastidores
Macdonald descreveu o período como uma espécie de “Guerra Fria” entre os dois lados.
“Ele dizia: ‘Vou apertar o botão’. E nós: ‘Vamos apertar o botão’. Nenhum dos dois apertou”, relatou.
O assunto acabou sendo deixado de lado. Macdonald contou que encontrou Payton posteriormente no Scouting Combine, mas os dois não voltaram a discutir o episódio.
A história só veio a público agora, dois anos depois, justamente em um momento em que os Seahawks e Broncos voltarão a se enfrentar. O próximo duelo entre as equipes está marcado para 15 de outubro.
Afinal, é espionagem se o vídeo está na internet?
O caso levanta uma questão cada vez mais relevante na NFL: até onde uma equipe pode ir ao utilizar conteúdo publicado por torcedores nas redes sociais?
A diferença fundamental apontada no relato de Macdonald é a origem das imagens. Os Seahawks não teriam enviado funcionários para filmar escondidos os treinos do Broncos. A comissão simplesmente encontrou vídeos já publicados na internet e os incorporou ao trabalho de preparação.
Isso também é diferente do histórico “Spygate” dos Patriots, no qual funcionários da equipe foram acusados de gravar sinais de adversários em situações nas quais isso não era permitido pela NFL.
No caso de Seattle, portanto, a discussão não envolvia apenas o conteúdo dos vídeos, mas principalmente a fronteira entre informação pública e informação que uma equipe considera privada, mesmo quando o material acaba sendo disponibilizado por torcedores.
O episódio também mostra um novo desafio para as franquias. Com celulares e redes sociais, cenas de treinamentos podem chegar à internet em questão de minutos. Um torcedor pode, sem intenção, publicar justamente uma jogada que uma comissão técnica preferiria manter longe dos olhos dos adversários.
E, nesse caso, foram os próprios fãs que acabaram fornecendo aos Seahawks uma espécie de banco de dados para estudar o ataque de Sean Payton.




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