
Na semana passada, a venda do Seattle Seahawks estabeleceu um novo recorde na NFL, superando os valores registrados nas negociações envolvendo Washington Commanders, Denver Broncos e Carolina Panthers.
Na NFL, onde franquias são ativos bilionários e mudanças de proprietário podem envolver negócios de vários bilhões de dólares, algumas equipes permanecem ligadas às mesmas famílias há quase um século. O caso mais peculiar, porém, é o do Green Bay Packers, único clube da liga com um modelo de propriedade coletiva.
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Green Bay Packers: o verdadeiro time do povo
Fundado em 1919, o Packers adotou em 1923 um sistema de venda de ações para a comunidade como forma de levantar recursos. Atualmente, a equipe pertence à Green Bay Packers, Inc., uma organização sem fins lucrativos que tem centenas de milhares de acionistas. A estrutura não funciona como uma empresa tradicional: as ações não pagam dividendos e não foram criadas para gerar lucro aos seus proprietários.
Por isso, embora seja comum dizer que “a população de Green Bay é dona do Packers”, tecnicamente a franquia pertence à corporação, cujos acionistas são torcedores e investidores espalhados pelos Estados Unidos e por outros países. O modelo permite que a equipe permaneça vinculada à comunidade, sem um proprietário individual ou uma família controladora.
O time dos Packers também nunca foi vendido para um bilionário, grupo empresarial ou outra família. Houve reorganizações societárias ao longo de sua história, mas o princípio de propriedade comunitária foi preservado.
Por que isso é tão raro?
O modelo tradicional da NFL permite que os proprietários vendam suas franquias por valores cada vez maiores. Com o crescimento explosivo do valor dos times, muitas equipes que foram fundadas ou adquiridas por empresários décadas atrás acabaram mudando de mãos.
Hoje, uma franquia da NFL vale bilhões de dólares. Para uma família proprietária, uma eventual venda pode representar uma oportunidade financeira extraordinária.
É justamente por isso que a história dos Packers é tão diferente. Como sua estrutura não tem um proprietário individual que possa simplesmente decidir vender a equipe, o clube ficou protegido contra esse tipo de transação.
O time do Green Bay Packers, portanto, ocupa uma posição única. Enquanto Bears, Steelers e Giants representam exemplos de dinastias familiares, o Packers representa algo praticamente inexistente no esporte profissional americano: uma grande franquia esportiva que pertence coletivamente aos seus torcedores.
E há uma ironia interessante nessa história. Os Packers jogam em uma das menores cidades da NFL, mas justamente essa característica ajudou a construir uma relação extremamente forte entre equipe e comunidade. Em vez de um bilionário ser o “dono” do time, milhares de torcedores podem dizer que possuem uma pequena participação na franquia.
No mundo bilionário da NFL, o Green Bay Packers continua sendo uma exceção: um time profissional de propriedade comunitária que não pode simplesmente ser colocado à venda para o maior lance.
Bears: mais de 100 anos ligados à família Halas
Outro dos casos mais emblemáticos é o Chicago Bears. A equipe foi fundada em 1920 por George Halas, uma das figuras mais importantes da história da NFL. A propriedade permaneceu dentro da família e atualmente está nas mãos da família Halas-McCaskey.
George McCaskey, atual chairman dos Bears, é neto de George Halas. Dessa forma, a franquia continua sob controle dos descendentes de seu fundador mais de um século depois de sua criação.
Steelers: a família Rooney desde 1933
O Pittsburgh Steelers também é um dos exemplos clássicos de continuidade familiar. A franquia foi fundada em 1933 por Art Rooney e permanece controlada pela família Rooney.
A equipe atravessou diferentes períodos e transformações da NFL sem ser vendida a um novo grupo controlador. A família Rooney continua diretamente envolvida na administração da franquia.
Giants: a família Mara continua, mas dividindo o controle
O New York Giants foi fundado em 1925 por Tim Mara. A família Mara continua proprietária da franquia até hoje, mas o Giants apresenta uma diferença importante em relação aos Bears e Steelers.
Em 1991, Preston Robert Tisch adquiriu 50% da equipe. Atualmente, portanto, a franquia é controlada conjuntamente pelas famílias Mara e Tisch.
Assim, o Giants pode ser considerado uma franquia que mantém a família fundadora na propriedade desde sua criação, mas não é correto dizer que a família Mara possui sozinha 100% da equipe desde 1925.
Cardinals: uma das propriedades familiares mais antigas
O Arizona Cardinals também tem uma das histórias de propriedade mais longas da NFL. A família Bidwill controla a franquia desde 1932, quando Charles Bidwill adquiriu o clube.
Embora o Cardinals tenha uma história anterior à chegada dos Bidwill, a família permanece ligada à propriedade há mais de nove décadas, tornando a franquia uma das mais antigas propriedades familiares do futebol americano profissional.


