Falso jogador dos 49ers é acusado de golpe milionário

Daejon Labrayae Love (Imagem do próprio Instagram do falso jogador que foi desativada após início das investigações)
Daejon Labrayae Love (Imagem do próprio Instagram do falso jogador que foi desativada após início das investigações)

Caso Daejon Love chama atenção nos EUA e expõe como a imagem da NFL pode ser usada em golpes. Outros casos de pessoas que se passaram por jogadores profissionais também vieram à tona

Um homem que se apresentava nas redes sociais como jogador do San Francisco 49ers foi preso nos Estados Unidos acusado de participar de um esquema de fraude que teria causado prejuízo de aproximadamente US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,5 milhões) a pelo menos 26 mulheres. Daejon Labrayae Love, de 35 anos, nunca jogou na NFL e, segundo as autoridades, utilizava uma falsa carreira como atleta profissional para conquistar a confiança das vítimas.

Love e seu suposto cúmplice, Taylor Jamie Chan, de 18 anos, foram presos em 24 de agosto de 2026, no aeroporto de Boise, no estado de Idaho. Os dois são acusados de fraude eletrônica e conspiração para cometer fraude eletrônica. Como o processo ainda está em andamento, ambos são considerados inocentes até eventual condenação.

Segundo os investigadores, o esquema começou em fevereiro de 2022 e se estendeu por mais de quatro anos. Love utilizava aplicativos de relacionamento e redes sociais para se aproximar de mulheres e, em determinado momento, apresentava-se como jogador dos 49ers ou como um rico investidor imobiliário.

Para tornar a história convincente, ele teria construído uma verdadeira identidade virtual de atleta da NFL. Publicava fotos usando roupas e equipamentos dos 49ers, mostrava carros de luxo e produzia vídeos nos quais afirmava estar construindo uma carreira no futebol americano profissional. Em um dos conteúdos, chegou a aparecer assinando aquilo que apresentava como um contrato com os 49ers.

A equipe, entretanto, não tinha qualquer relação com Love.

Romance era porta de entrada para o golpe

A investigação aponta que Love utilizava aplicativos como Tinder, Bumble, Hinge e Facebook Dating para conhecer suas vítimas. Depois de estabelecer relacionamentos afetivos, ele apresentava oportunidades de investimento supostamente lucrativas.

A estratégia era baseada na confiança. As mulheres acreditavam estar se relacionando com um jogador profissional da NFL e, posteriormente, recebiam propostas para investir dinheiro em negócios que, segundo os investigadores, não existiam.

Chan teria participado do esquema apresentando-se como consultor financeiro de Love. Os dois realizavam chamadas de vídeo e mostravam às vítimas plataformas que aparentavam apresentar contas bancárias e investimentos com grandes valores.

Em alguns casos, as mulheres teriam sido convencidas a contrair empréstimos pessoais para conseguir dinheiro para os investimentos.

As autoridades afirmam que nenhuma das vítimas identificadas recebeu os retornos prometidos. Quando algumas delas começaram a questionar as operações ou ficaram sem dinheiro para enviar, Love supostamente interrompia o contato.

Os investigadores identificaram vítimas em Califórnia, Oregon, Washington e Idaho e acreditam que o número de pessoas enganadas possa ser maior que as 26 já identificadas.

Uma carreira inteira inventada

O aspecto mais incomum do caso é a extensão da falsa identidade criada por Love.

Ele teria utilizado diferentes nomes, entre eles Jon Love, Daejon Love, Avril Lyto Love e Jordan Love, e construiu nas redes sociais a imagem de um atleta profissional bem-sucedido.

A utilização da marca dos 49ers era especialmente importante para a estratégia. A associação com uma das franquias mais conhecidas da NFL ajudava a transmitir a impressão de riqueza, sucesso e credibilidade.

Para os investigadores, entretanto, Love nunca teve vínculo com a franquia.

O caso mostra como as redes sociais podem permitir que uma pessoa construa uma identidade esportiva falsa durante anos, utilizando imagens, vídeos, uniformes e outros elementos para convencer pessoas que não têm conhecimento suficiente para verificar imediatamente a informação.

É a primeira vez que alguém finge ser jogador da NFL?

Não. O caso Love é extremamente incomum pela combinação de falsa carreira na NFL, romance e fraude de investimentos, mas não é o primeiro episódio envolvendo pessoas que se passaram por jogadores profissionais.

Um exemplo recente ocorreu em 2025, quando o ex-jogador da NFL Darryl “Buster” Skrine foi preso na Geórgia acusado de uma série de crimes financeiros. A diferença fundamental é que Skrine realmente foi jogador profissional.

Skrine atuou durante 11 temporadas na NFL, por equipes como Cleveland Browns, New York Jets e Chicago Bears. Segundo a polícia, ele utilizava aplicativos de relacionamento para conhecer mulheres, inventava dificuldades financeiras e pedia dinheiro, prometendo devolver os valores por meio de sua renda proveniente da aposentadoria da NFL.

Pelo menos três mulheres teriam perdido cerca de US$ 300 mil.

Portanto, o caso Skrine é diferente: não houve uma carreira fictícia, mas a verdadeira carreira na NFL teria sido utilizada para aumentar a credibilidade do golpe.

Outro suposto falso jogador aparece após caso Love

A repercussão do caso Love também levou à descoberta de outro homem que supostamente teria inventado uma carreira na NFL.

Uras Agee IV, que aparece no elenco de 2017 da universidade Shorter University, da segunda divisão universitária americana, passou a ser investigado pela imprensa após alegações de que teria apresentado uma carreira fictícia na NFL.

Segundo o Dallas Morning News, Agee teria afirmado ou insinuado nas redes sociais que havia passado por equipes como Dallas Cowboys, Tampa Bay Buccaneers e Pittsburgh Steelers. Ele também chegou a se apresentar como campeão do Super Bowl LV, título conquistado pelo Tampa Bay Buccaneers em 2021.

Publicações nas redes sociais mostravam Agee utilizando equipamentos de equipes da NFL e até uma imagem que anunciava sua suposta contratação pela Roc Nation, agência ligada ao rapper Jay-Z.

Até o momento, porém, Agee não foi acusado criminalmente, e as informações sobre o caso ainda estão sendo verificadas.

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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