A queda histórica da seleção masculina da Áustria

Seleção austríaca masculina 2026 (Foto: AFBÖ / David Bitzan)
Seleção austríaca masculina 2026 (Foto: AFBÖ / David Bitzan)

Seleção austríaca masculina, que entrou no mundial de flag como segunda colocada do ranking da IFAF, termina atrás do Brasil em Düsseldorf e vive a pior campanha de sua história. Federação não aponta uma causa isolada, mas reconhece que o nível mundial está cada vez mais competitivo.

A Áustria chegou à Copa do Mundo de Flag Football de 2026, em Düsseldorf, como uma das grandes favoritas ao título. Segunda colocada no ranking mundial da IFAF e atual vice-campeã mundial, a seleção masculina carregava ainda o peso de uma história construída com três títulos mundiais, conquistados em 2002, 2004 e 2012.

Quatro dias depois, deixou a Alemanha com o pior resultado de sua história: 15º lugar. Praticamente a última colocação, já que a Nigéria não conseguiu participar devido a falta de visto.

E o dado que mais chama a atenção para quem acompanha o crescimento do flag no Brasil é outro: a Áustria terminou atrás do Brasil, que ficou em 14º.

O resultado representa uma queda brutal para uma seleção que, em 2024, havia chegado novamente à final do mundial, terminando com a medalha de prata. Na análise publicada após o torneio, o portal austríaco Football-Austria classificou o desempenho como um “historisches Tief”, uma “queda histórica”, destacando que a equipe masculina jamais havia terminado um mundial fora do Top 8.

Uma queda que não pode ser explicada apenas por um jogo

A campanha começou com um resultado que já acendeu o sinal de alerta. No primeiro jogo efetivamente disputado, a Áustria foi derrotada pelo Canadá por 26–6. O Canadá, que ocupava apenas a 10ª posição no ranking mundial, dominou desde o início e abriu 20–0 ainda no primeiro tempo. O próprio técnico austríaco, Michael Salamon, foi direto na avaliação: “O Canadá é um bom time, entrou em campo e executou, e nós não.”

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Segundo Salamon, a equipe austríaca não conseguiu entrar na partida e, quando reagiu no segundo tempo, já era tarde demais. Para ele, naquele nível, pequenos erros são suficientes para decidir uma partida.

A situação ainda poderia ser revertida contra o Japão. Mas a Áustria precisava vencer por pelo menos dois scores para avançar no desempate. O resultado foi uma das partidas mais dramáticas do torneio: Japão 43 x 42 Áustria… Um ponto de diferença!

A seleção austríaca até melhorou consideravelmente em relação ao jogo, chegou no intervalo perdendo por apenas 22–20 e tentou acelerar o ritmo na segunda metade. Porém, o Japão administrou a vantagem e marcou o touchdown decisivo no final.

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Salamon foi novamente bastante claro: para ele, a eliminação havia sido praticamente definida na derrota para o Canadá. Sobre o jogo contra o Japão, afirmou que não tinha muito a criticar sua equipe, que lutou até o fim.

Depois veio a parte mais difícil

Fora do grupo principal, a Áustria perdeu para Israel por 42–20. Depois, na disputa pelo 13º lugar, perdeu para a Grã-Bretanha por 28–20. Assim, terminou o Mundial sem conseguir uma única vitória dentro de campo. Sua única vitória contabilizada na primeira fase foi justamente o 1–0 sobre a Nigéria, resultado automático decorrente da ausência da seleção africana por problemas de visto.

O contraste é enorme

2024: vice-campeã mundial
2025: vice-campeã europeia
2026: 15ª colocada no mundial (penúltima colocação devido a desistência da Nigéria)

É justamente essa sequência que torna o resultado de Düsseldorf tão difícil de explicar como uma simples “má campanha”.

Como foi a convocação?

Antes do mundial, o técnico Michael Salamon afirmou que a montagem do elenco havia sido novamente muito difícil porque a Áustria possuía muitos jogadores de qualidade. O treinador disse estar satisfeito com o grupo escolhido e descreveu a equipe como uma combinação de jogadores experientes, jovens talentos e alguns rookies.

Mais do que isso: segundo Salamon, a preparação havia sido realizada em nível muito alto, com uma competição interna que ele classificou como mais forte e intensa do que nunca.

A hipótese mais consistente parece estar em outro lugar

O mundo avançou mais rápido? Antes do mundial, a própria organização austríaca reconhecia que Düsseldorf teria a competição mais forte da história. E há sinais concretos disso.

O Canadá, 10º do mundo, levou ex-NFL e CFL, derrotou a Áustria, 2ª colocada, por 26–6 e posteriormente conquistou a medalha de bronze e a vaga olímpica para Los Angeles 2028. O Japão, 7º do ranking, levou 6 atletas de elite da X. League, venceu a Áustria por 43–42 e terminou em 6º lugar. A Itália, 4ª do mundo, chegou à final e conquistou a prata. O México, 3º, ficou com o 4º lugar.

E seleções como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália e México mostraram que o grupo de países capazes de disputar as primeiras posições está se ampliando. Assim também como Samoa Americana, com vários ex-college, na sua estreia ficou em 5º.

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A própria Football Canada havia destacado antes da competição que o “gap between teams is narrowing”, ou seja, que a diferença entre as seleções estava diminuindo à medida que os países aceleravam seus programas de preparação.

Isso pode ser fundamental para entender o caso austríaco. Talvez a Áustria não tenha simplesmente ficado muito pior. Talvez o restante do mundo tenha ficado muito melhor.

Como está o flag na Áustria?

O histórico recente mostra que o flag austríaco continua produzindo bons jogadores e possui uma estrutura doméstica relevante. Porém, em junho, o campeonato austríaco masculino tinha uma equipe, o Vienna Vipers, conquistando o quinto título consecutivo. Será que outras equipes estão conseguindo se desenvolver?

O próprio presidente da federação, Michael Eschlböck, destacou a importância da visibilidade e do desenvolvimento da modalidade.

A Áustria possui programas de desenvolvimento de jovens. O AFBÖ já havia iniciado anos atrás um processo de fortalecimento das seleções de base, justamente com a visão de que o desenvolvimento contínuo dos jovens seria a base dos futuros resultados das seleções adultas.

O problema pode estar mais especificamente na transição entre uma geração extremamente competitiva e a necessidade de acompanhar a velocidade de evolução internacional.

O ranking é diferente da classificação no mundial

A Áustria caiu de 2º para 15º no resultado do mundial, enquanto o Brasil saiu de 17º no ranking de entrada para 14º na classificação final. É importante fazer uma ressalva: ranking da IFAF e classificação final do mundial são coisas diferentes. A posição 14ª do Brasil não significa automaticamente que o Brasil já seja a 14ª melhor seleção do mundo no ranking oficial da IFAF. O ranking é calculado por resultados internacionais e possui sua própria metodologia.

Düsseldorf pode representar um ponto de inflexão

A seleção que chegou à final em 2024 agora terminou em 15º. E, pela primeira vez, ficou fora do top 8 de um mundial. Ao mesmo tempo, Japão, Canadá, Itália, México e outras seleções demonstraram que o nível internacional está cada vez mais equilibrado. O mundial de Düsseldorf também foi a primeira grande competição com a classificação olímpica para Los Angeles 2028 em jogo, aumentando ainda mais a pressão sobre as equipes.

Classificação final em Düsseldorf – masculina

Por enquanto, a própria Áustria não aponta uma explicação única para o desastre esportivo. As declarações do técnico sugerem uma equipe que não conseguiu executar seu potencial no jogo decisivo contra o Canadá, enquanto a imprensa austríaca trata o resultado como um retrocesso histórico.

Mas uma Áustria que, depois de anos entre as melhores do mundo, pode ter sido ultrapassada pela velocidade com que o resto do mundo passou a correr…!

Já a seleção feminina da Áustria terminou o mundial em 6º lugar, mantendo a sua competitividade e acompanhando a velocidade de crescimento internacional.

Classificação final em Düsseldorf – feminina

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Tiago Munden
Iniciou no esporte como jogador no Amazon Black Hawks (Manaus) em 2009. Passou pelo GET Eagles (atual Galo) e se aposentou dos campos em 2016, passando a atuar na diretoria da equipe. Em 2017, tornou-se membro da Touchdown Mineiro e da FABr Network, cobrindo principalmente o futebol americano em Minas Gerais. Ingressou no América Locomotiva em 2018 e, no mesmo ano, passou a integrar a FEMFA. Em 2021, foi vice-presidente da CBFA na chapa com Cris Kajiwara. Desde 2016, atua também como narrador, comentarista, colunista, fotógrafo e cinegrafista.

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