
A seleção masculina dos Estados Unidos chega ao Mundial de Flag Football da IFAF 2026, em Düsseldorf, na Alemanha, com uma característica que ajuda a explicar o domínio americano na modalidade: o elenco não é formado por grandes estrelas da NFL, mas por jogadores que construíram uma carreira específica no flag football, combinada, em alguns casos, com experiências no futebol americano tradicional.
Leia também: Campeão do Super Bowl, Auclair disputa Mundial de Flag
Dos 12 atletas convocados para o Mundial, dois possuem passagem por programas universitários de alto nível e chegaram a receber convites para camps de franquias da NFL: o wide receiver Ja’Deion High e o defensive back Mike Daniels. Outros integrantes também têm trajetória no futebol americano universitário, enquanto nomes como Darrell “Housh” Doucette III construíram praticamente toda a carreira esportiva no flag football.
A lista oficial do Team USA para o Mundial inclui Aamir Brown, Velton Brown Jr., Isaiah Calhoun, Nico Casares, Mike Daniels, Laval Davis, Tyler Davis, Darrell Doucette III, Ja’Deion High, Jamie Kennedy, Laderrick “Pablo” Smith e Shawn Theard Jr.
Ja’Deion High: o camisa #88 que chegou a testar espaço na NFL
Principal nome do grupo com experiência no futebol americano universitário, Ja’Deion High foi destaque da Texas Tech. O recebedor atuou por cinco temporadas pelo programa e terminou sua carreira universitária com 83 recepções para 1.027 jardas e cinco touchdowns. Em 2018, seu último ano, registrou 62 recepções para 804 jardas e quatro touchdowns.

Após deixar a universidade, High chegou a participar do camp de novatos do Arizona Cardinals, em 2019, em busca de uma oportunidade na NFL. Não chegou, porém, a disputar uma partida oficial pela liga.
No flag, a história foi diferente. High tornou-se peça importante da seleção americana e foi campeão mundial em 2024. No Mundial daquele ano, marcou 10 touchdowns em sete partidas, incluindo dois na decisão contra a Áustria. Em 2025, voltou a integrar a equipe americana e foi um dos destaques da campanha no Continental das Américas.
Em 2026, High também foi protagonista no Fanatics Flag Football Classic, torneio que colocou a seleção americana frente a times repletos de jogadores atuais e ex-jogadores da NFL. Ele terminou o evento com quatro touchdowns, o maior número entre os atletas da competição, ajudando o Team USA a conquistar o título invicto.
Mike Daniels: de West Virginia ao flag football
Outro nome que chama atenção é Mike Daniels. O defensive back começou no futebol americano, jogando no Globe Tech Community College entre 2014 e 2015, onde foi eleito para o segundo time All-American da NJCAA. Depois, transferiu-se para a West Virginia University, onde atuou entre 2016 e 2017.

Após a carreira universitária, Daniels recebeu um convite para participar do rookie camp do Cleveland Browns em 2017. Assim como High, ele não chegou a disputar uma partida oficial da NFL.
Daniels começou a praticar flag de maneira regular apenas em 2022. A adaptação, segundo o próprio jogador, exigiu mudanças importantes, principalmente pela ausência de contato físico e pelas diferenças na velocidade e na leitura das jogadas. Em 2026, ele chega ao Mundial como um dos defensores da equipe americana.
Nico Casares: quarterback formado no college
O quarterback Nico Casares é outro exemplo da mistura entre tackle e flag. Ele atuou pela Catholic University of America, na NCAA Division III, entre 2019 e 2023.
Em 2022, Casares teve sua melhor temporada universitária, com 2.066 jardas aéreas e 20 touchdowns, além de completar 67,3% de seus passes. Foi eleito para o primeiro time da NEWMAC e também apareceu na seleção semanal do D3football.com.

Apesar da experiência no tackle, o flag football acompanha Casares desde a infância. Segundo a USA Football, ele começou a jogar flag aos oito anos e conquistou títulos em categorias juvenis antes de chegar à seleção adulta.
Um elenco construído para o flag
O caso de Casares ajuda a entender o perfil do atual Team USA. A maioria dos jogadores não possui passagem pela NFL ou por ligas de tackle. São atletas especializados no flag, muitos deles integrantes da seleção americana há vários ciclos internacionais.
Aamir Brown, Velton Brown Jr., Isaiah Calhoun, Laval Davis, Tyler Davis, Jamie Kennedy, Laderrick “Pablo” Smith e Shawn Theard Jr. já acumulam experiência com a seleção nacional, incluindo participações em competições continentais e mundiais. Aamir Brown, Velton Brown Jr., Calhoun, Davis, High e outros nomes do atual elenco, por exemplo, já faziam parte de diferentes versões do Team USA desde os ciclos anteriores.
Laderrick “Pablo” Smith é um dos jogadores mais experientes internacionalmente. Ele já estava na seleção americana que conquistou o ouro nos World Games de 2022, em Birmingham, e também integrou equipes campeãs em outras competições.
Já Darrell “Housh” Doucette III, quarterback e um dos principais rostos da modalidade nos Estados Unidos, construiu sua trajetória essencialmente no flag. Ele se tornou conhecido internacionalmente por sua habilidade como quarterback e pelas declarações envolvendo a possibilidade de enfrentar estrelas da NFL. Em 2026, Doucette foi eleito MVP do Fanatics Flag Football Classic, depois de liderar o Team USA na vitória sobre equipes que reuniam nomes como Tom Brady, Joe Burrow, Jayden Daniels e Saquon Barkley.
NFL ficou fora da lista… por enquanto!
A curiosidade é que o Mundial de 2026 acontece justamente em um momento em que a presença de atletas da NFL no flag ganhou enorme atenção nos Estados Unidos. Em março, o Team USA enfrentou equipes formadas por estrelas atuais e ex-estrelas da NFL e venceu os três jogos, levantando dúvidas sobre a necessidade de colocar jogadores na futura seleção olímpica.
No entanto, o elenco americano que está em Düsseldorf não traz nenhum jogador com participação em partida oficial da NFL ou da UFL. Os casos de High e Daniels são diferentes: ambos chegaram a receber oportunidades em camps de franquias da NFL, mas não atuaram em jogos oficiais.
A aposta dos Estados Unidos, portanto, continua sendo nos atletas que dedicaram anos ao desenvolvimento do flag. E, pelo histórico recente, a estratégia tem funcionado. O país conquistou o ouro mundial em 2024 e segue entre as principais forças da modalidade enquanto o esporte se prepara para fazer sua estreia olímpica em Los Angeles, em 2028.


