A profissionalização como base, a estrutura como diferencial e a cultura de alto rendimento como objetivo. Foi com esses pilares que o BH Wolves construiu, em pouco tempo, um dos projetos sólidos do flag football brasileiro. O resultado mais recente veio em grande estilo: o título do Campeonato Mineiro masculino e feminino, uma dobradinha histórica que confirma a força do trabalho desenvolvido em Belo Horizonte.
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À frente do projeto está Rapha da Cruz, head coach da equipe, que vê o sucesso como consequência direta de uma mudança de mentalidade no esporte.
“Nós iniciamos o projeto do BH Wolves com o intuito de profissionalizar a gestão do flag football no Brasil”, explica.
Segundo ele, a popularização do flag football após o anúncio da modalidade no programa olímpico trouxe crescimento, mas também revelou fragilidades.
“Quando a Olimpíada foi anunciada, veio uma popularização muito grande do flag no Brasil. Muitas equipes passaram a se importar mais em juntar atletas de outros estados e esqueceram do mais importante, que é o extracampo”, avalia.
Para o coach, infraestrutura e rotina de treino são fatores determinantes no alto rendimento.
“Uma equipe que treina junto por muito tempo sempre vai ter vantagem contra atletas que se encontram apenas no final de semana”, afirma.
Essa visão foi aplicada desde o início do projeto, que começou com uma seletiva em 2024. Em menos de dois anos, o BH Wolves já alcançou um nível competitivo expressivo: além dos títulos estaduais conquistados neste ano, a equipe também garantiu, no ano passado, vaga na Superfinal do Brasileirão de Flag Football.
A estrutura oferecida aos atletas é um dos grandes diferenciais. O time treina no Centro de Treinamento da Pampulha, em Belo Horizonte, um espaço que oferece condições de alto nível para o desenvolvimento esportivo.
“Hoje a gente não olha o Wolves apenas como uma equipe que se junta para jogar, mas como uma empresa esportiva estruturada, com profissionais de marketing, profissionais comerciais, e uma infraestrutura que o atleta só se preocupe em competir”, destaca Rapha.
O elenco também reflete esse crescimento. A equipe conta com atletas de destaque nacional, como Rhuan Pablo, jogador de seleção brasileira, além de jovens talentos que vêm sendo formados dentro do próprio projeto, elevando o nível técnico e tático do grupo.
O impacto do trabalho ficou evidente no Campeonato Mineiro. Além da dobradinha no masculino e feminino, o BH Wolves também montou uma equipe B no masculino, formada majoritariamente por atletas iniciantes no flag. Mesmo assim, o time B conseguiu avançar aos playoffs.
“O objetivo principal era ganhar uma partida, já que são jogadores que estão começando no esporte, mas conseguimos chegar aos playoffs da competição”, salientou.
Para Rapha da Cruz, o maior desafio agora é seguir combatendo a cultura do improviso ainda presente no flag football nacional.
“No Brasil, ainda existe muito essa cultura de juntar amigos para competir. É contra essa cultura que o BH Wolves luta”, resume.
Com planejamento, investimento e resultados, o BH Wolves se consolida como um dos principais times no flag football brasileiro — e mostra que, dentro e fora de campo, o caminho do alto rendimento já está bem definido em Belo Horizonte.



