O Mundial de Flag Football disputado em Düsseldorf, na Alemanha, o IFAF World Flag, terminou com uma mensagem clara para o público: os Estados Unidos são fortes, mas a distância para algumas das principais seleções internacionais está diminuindo rapidamente.
O resultado reforçou, na visão americana, que o principal adversário dos Estados Unidos não é mais apenas uma seleção específica, mas o crescimento do flag em diferentes regiões do mundo. A competição de Düsseldorf foi particularmente importante por ser o primeiro grande torneio internacional a distribuir vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Os Estados Unidos já têm vaga assegurada como país-sede.
O contraste com as potências americanas do Flag Football
A diferença de estágio fica evidente quando se observa o desempenho dos principais países das Américas. Os Estados Unidos conquistaram novamente o título masculino, enquanto o Canadá levou o campeonato feminino ao derrotar as próprias americanos por 27 a 20 na decisão. O México, que entrou no torneio como número 1 do ranking feminino, acabou eliminado pelo Canadá na semifinal, mas garantiu a medalha de bronze e, consequentemente, uma vaga olímpica para Los Angeles.
O Brasil, por sua vez, ainda não conseguiu transformar sua presença constante nos mundiais em uma classificação entre as principais potências. A própria IFAF lembrava, antes da competição, que a melhor campanha brasileira havia sido o quarto lugar no mundial em Israel de 2021, quando a equipe perdeu a disputa pelo bronze para a Áustria.
A leitura que emerge da cobertura americana é que o Brasil está inserido em um segundo grupo de seleções que tentam diminuir a distância para as potências tradicionais. Japão, Áustria, Panamá, Itália e outras equipes já demonstraram capacidade de competir em alto nível, enquanto o crescimento do esporte amplia constantemente o número de candidatos a desafiar a força norte-americana.
Mundial de Flag Football funcionou como vitrine Olímpica
Outro aspecto enfatizado pela imprensa americana é que Düsseldorf representou apenas o começo da disputa por Los Angeles 2028. O mundial foi o primeiro caminho de classificação olímpica para o flag football. As duas melhores seleções elegíveis de cada gênero garantiram vaga para LA28, enquanto as demais terão novas oportunidades por meio das competições continentais e do Olympic Qualifier Series de 2028.
A mensagem deixada por Düsseldorf para o Brasil é, portanto, ambígua: o país ainda está longe da elite mundial, mas continua próximo o suficiente para sonhar com uma ascensão nos próximos dois anos.
Enquanto os Estados Unidos seguem como a grande referência do esporte, e, já começam a discutir até a possibilidade de utilizar jogadores da NFL em Los Angeles, países como México, Canadá, Panamá e Itália mostram que o flag football internacional está deixando de ser um território exclusivo de seus criadores.
O sonho olímpico do Flag Football brasileiro continua
Após o mundial de Düsseldorf, o Brasil terá de superar rivais continentais em 2027 para chegar à seletiva que distribuirá as três últimas vagas de cada torneio em Los Angeles
Seis equipes masculinas e seis femininas participarão do primeiro torneio olímpico da história da modalidade. Os Estados Unidos já estão classificados automaticamente como país-sede. No feminino, Canadá e México se classificaram. Já no masculino, Itália e Canadá.
As três vagas restantes de cada gênero serão decididas em 2028, por meio da Olympic Qualifier Series, uma seletiva mundial que reunirá dez seleções masculinas e dez femininas. Para chegar a essa última oportunidade, porém, o Brasil terá primeiro de terminar entre os dois melhores países das Américas no Campeonato Continental de 2027.
O resultado de Düsseldorf permite projetar quais serão os obstáculos brasileiros e, principalmente, medir o tamanho do desafio. Para o Brasil, a primeira missão não é simplesmente chegar à seletiva mundial. É sobreviver à disputa dentro das Américas.
Masculino: México e Panamá são os grandes obstáculos
No masculino, o cenário parece mais complicado. O mundial de Düsseldorf mostrou que a região das Américas continua tendo enorme força, mas também deixou evidente que o Brasil ainda está alguns degraus abaixo das principais potências.
México e Panamá aparecem como os principais adversários brasileiros na corrida pelas duas vagas continentais. O Panamá, em particular, possui tradição internacional: conquistou o bronze no mundial de 2021 e terminou em 13º no mundial de 2024, agora em 2026 ficou na 7ª posição.
O México, por sua vez, representa um desafio ainda maior. A seleção mexicana masculina está inserida no grupo das principais forças das Américas e chega à disputa continental com uma estrutura internacional muito mais consolidada. Por pouco não se classificou na Alemanha, terminando na 4ª posição.
O Brasil, portanto, precisará provavelmente superar pelo menos um desses dois países (e dependendo da fórmula do Campeonato das Américas de 2027, possivelmente ambos em algum momento) para terminar entre os dois melhores.
A boa notícia: o Brasil já mostrou que pode vencer o Panamá
O resultado dos Jogos Sul-Americanos da Juventude Panamá 2026 oferece um argumento importante a favor do Brasil. A seleção masculina brasileira conquistou o título da competição, derrotando justamente o Panamá por 34 a 32 na final. Antes da decisão, porém, o Brasil havia perdido duas vezes para os panamenhos, mostrando que existe uma distância pequena, mas real, entre as equipes.
Esse resultado não pode ser automaticamente transportado para a seleção adulta, mas demonstra que existe uma nova geração brasileira capaz de competir contra uma das principais escolas do continente.
O problema é que o mundial adulto mostrou que essa evolução ainda não foi suficiente para colocar o Brasil no mesmo patamar das principais potências mundiais.
Se conseguir a vaga continental, começa outra Copa do Mundo
Supondo que o Brasil termine entre os dois melhores das Américas em 2027, a dificuldade aumenta novamente. A Olympic Qualifier Series reunirá dez seleções, duas de cada continente. Apenas três conseguirão a classificação olímpica.
No masculino, o mundial de Düsseldorf oferece uma boa indicação dos possíveis adversários. O Japão, que vem crescendo rapidamente e subiu no ranking mundial antes do mundial, é um dos candidatos naturais da Ásia. A seleção masculina japonesa chegou ao mundial de 2026 depois de conquistar a prata no Campeonato da Ásia-Oceania de 2025, perdendo a final para a Austrália.
Na Europa, o Brasil poderá encontrar duas seleções de um grupo formado por Áustria, França, Grã-Bretanha, Alemanha e Suíça, dependendo dos resultados continentais de 2027 e de quais países já estiverem classificados. Na Oceania, Austrália e Samoa Americana despontam como potenciais candidatos às duas vagas continentais.
Feminino: o sonho olímpico parece um pouco mais próximo
Se no masculino a missão é difícil, no feminino o cenário brasileiro parece um pouco mais favorável, acessível, já que Canadá e México já estão com as vagas olímpicas.
É justamente aí que o Panamá aparece como o principal rival brasileiro. O Panamá possui tradição e histórico de bons resultados, mas não conseguiu avançar além da fase de grupos em Düsseldorf. O Brasil também ficou fora da fase decisiva, mas a distância entre as duas equipes não parece intransponível.
Para o Brasil feminino, portanto, uma campanha muito forte no Campeonato das Américas de 2027 pode colocar a seleção em posição real de disputar uma das duas vagas que levam à seletiva olímpica.
E depois? Japão e Europa no caminho
Se conseguir uma das duas vagas das Américas, o Brasil feminino terá de enfrentar novamente algumas das melhores seleções do planeta.
Na Ásia, Japão e China são os principais candidatos. O Japão já possui experiência de mundial e conquistou o bronze em 2024. A China, por outro lado, vem crescendo rapidamente e já conseguiu vitórias importantes contra o Japão no ciclo anterior. Além de vencer o Brasil nesse mundial também.
Na Europa, a disputa tende a envolver Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria, Espanha, Itália, França e Eslovênia, embora apenas duas dessas seleções possam chegar à seletiva olímpica.
A Grã-Bretanha foi mais longe e terminou entre as quatro melhores do mundo, perdendo para o México por apenas um ponto, 20 a 19, na disputa pela medalha de bronze e pela vaga olímpica.
Isso dá uma dimensão do desafio que o Brasil terá pela frente.



