
O terceiro jogo da NFL no Brasil terminou com um roteiro digno de Hollywood. No Rio Game, Baltimore Ravens e Dallas Cowboys fizeram uma partida de 34 a 31, a maior pontuação já registrada em um jogo da liga no Brasil: 65 pontos. Os dois jogos anteriores também tiveram bons placares: Eagles 34 x 29 Packers (63 pontos) e Chargers 27 x 21 Chiefs (48 pontos). E o placar no Rio foi apenas uma parte do espetáculo.
Com os Cowboys empatando a partida por meio de um field goal quando restavam apenas sete segundos, parecia que o jogo caminharia para a prorrogação. Mas ainda havia tempo para mais uma jogada. Lamar Jackson encontrou Zay Flowers em um passe que colocou Baltimore em posição para tentar o chute da vitória. Com apenas um segundo no relógio, Tyler Loop acertou um field goal de 56 jardas e garantiu a vitória dos Ravens.
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Na comemoração, Loop ainda reproduziu o famoso “Siuuu” de Cristiano Ronaldo, acrescentando mais um momento que rapidamente ganhou as redes sociais.
O jogo no Rio de Janeiro, assim como os dois jogos anteriores, foi decidido por apenas uma posse de bola. É um dado particularmente relevante quando comparado ao cenário internacional: cerca de 60% dos jogos internacionais da NFL foram decididos por uma posse. No Brasil, o índice está 100%. O Brasil foi abençoado por jogos emocionantes, disputados, tudo que a NFL e os amantes do futebol americano querem.
Um jogo, uma cidade inteira
O Rio Game também se transformou em um evento que ultrapassou os limites do estádio. Com o Rio de Janeiro como cenário, a NFL explorou elementos que fazem parte da identidade turística da cidade. Uma enorme ativação em formato de capacete apareceu na região da Lagoa, enquanto Copacabana recebeu uma ação com uma camisa construída em areia. Uma bola inflável com o Pão de Açúcar ao fundo também chamou a atenção, Cristo Redentor vestindo o jogo, além de aviões que sobrevoaram as praias carregando mensagens relacionadas ao jogo.
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As ativações se espalharam por diferentes pontos da cidade e envolveram outras franquias da liga. Miami Dolphins e New England Patriots, por exemplo, também realizaram ações no Rio, incluindo um quiosque dos Patriots.
Houve ainda o pré-lançamento do filme sobre o Coritiba Crocodiles, conectando a produção da NFL à própria comunidade brasileira de futebol americano.
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O Rio Game também mostrou uma operação comercial que atingiu números inéditos. O evento chegou a 22 patrocinadores no Brasil, número recorde, e, 16 marcas participaram diretamente das ativações ao Rio Game.
As Dallas Cowboys Cheerleaders também entraram em campo
O espetáculo não ficou restrito ao jogo em si. A presença das cheerleaders dos dois times ampliou a experiência para além do público tradicional de futebol americano.
Os dois times também tiveram clínicas de flag football com presença das Cheers, mascotes, lideranças do flag e das próprias franquias.
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No caso das Dallas Cowboys Cheerleaders (DCC), o interesse foi ainda maior por causa da popularidade da série documental da Netflix (título original: America’s Sweethearts: Dallas Cowboys Cheerleaders), que levou a equipe a um público que acompanha o universo das DCC mesmo sem necessariamente acompanhar a NFL.
As DCC participaram de diferentes momentos da programação, incluindo apresentações antes da partida, durante a partida e participação no show do intervalo. Além de performar também durante a música “Evidências” (que já virou quase o hino nos jogos do Brasil).
A presença de Charlotte Jones Anderson, figura importante na organização dos Cowboys e Cheers, também reforçou a dimensão institucional e comercial do evento.
72.972 pessoas, um recorde no Brasil em 2026
O resultado apareceu também nas arquibancadas.72.972 torcedores estiveram no estádio para o Rio Game, o maior público registrado no estádio em 2026 e superior ao público de qualquer partida do Flamengo no local durante o ano e em qualquer evento esportivo no Brasil no ano.
As vendas de ingressos também mostraram a dimensão internacional do interesse pelo evento. Compradores de 67 países adquiriram ingressos para o jogo, estabelecendo o maior número de países de origem de compradores de ingressos para uma partida da NFL no Brasil.
Posição do Brasil no calendário internacional
Com três partidas realizadas no país, o Brasil já ocupa a quinta posição entre os países que mais receberam jogos da NFL fora dos Estados Unidos, atrás de Inglaterra, Canadá, México e Alemanha, e à frente de mercados como Espanha, França e Austrália. O Rio de Janeiro ainda tem mais dois jogos previstos em contrato, enquanto o calendário futuro também poderá contemplar uma alternância entre a capital fluminense e São Paulo, voltando a ter partidas da NFL na capital paulista.
O primeiro deu sorte
O primeiro jogo no país colocou o Green Bay Packers diante do Philadelphia Eagles. Naquele mesmo ano, o Philadelphia Eagles terminou a temporada como campeão do Super Bowl, adicionando um capítulo especial à história das partidas realizadas no Brasil.
O glamour da cidade
O Rio de Janeiro ofereceu à NFL uma combinação particular: praias, paisagens reconhecidas mundialmente, turismo, entretenimento, cultura esportiva e a imagem da “Cidade Maravilhosa”. A liga ocupou esses espaços e transformou a cidade em parte do espetáculo.
Neste caso, em particular, os torcedores dos Ravens pareciam ser maioria no Rio de Janeiro. O roxo deu a impressão que tomou conta da cidade e parecia ser a maioria nas arquibancadas, criando uma atmosfera que lembrava um jogo em ‘casa’ para o Baltimore. É justamente uma das particularidades dos jogos internacionais da NFL: o time que originalmente seria o visitante pode, por alguns dias, transformar-se em mandante, graças à mobilização de torcedores que viajam para acompanhar e apoiar o time do coração, além dos torcedores locais. O Rio Game mostrou, mais uma vez, essa capacidade de levar a paixão das torcidas para muito além de suas cidades de origem.



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