
A Canon anunciou uma nova função baseada em inteligência artificial para câmeras mirrorless profissionais como EOS R1, EOS R5 Mark II, EOS R50 V e PowerShot V1, capaz de reconhecer automaticamente jogadas de futebol americano e priorizar o foco nos atletas em ação. A novidade chega por meio de uma atualização gratuita de firmware liberada em maio.
O recurso faz parte da tecnologia “Action Priority”, criada para identificar movimentos típicos de esportes de alta velocidade. Até então, o sistema era voltado apenas para futebol, basquete e vôlei. Agora, a Canon expandiu a função para o futebol americano, considerado um dos esportes mais desafiadores para sistemas de autofoco devido ao uso de capacetes, shoulder pads e à grande quantidade de jogadores em movimento simultâneo.
Segundo a fabricante, o algoritmo foi treinado para reconhecer situações específicas da modalidade, como corridas com a bola, passes, recepções, punts, kickoffs e até o momento em que o quarterback recebe o snap. A câmera identifica automaticamente o jogador envolvido na ação principal e desloca o ponto de foco para ele em tempo real.
Na prática, a função reduz a dificuldade de acompanhar jogadas rápidas usando apenas o rastreamento tradicional de autofoco. A Canon afirma que o sistema utiliza análise de movimento corporal e reconhecimento contextual da cena para prever qual atleta deve receber prioridade no enquadramento.
A atualização também trouxe melhorias no recurso “Register Face Priority”, que permite registrar previamente rostos específicos para priorizar o foco automático durante eventos esportivos. O sistema passou a ter melhor desempenho em rostos parcialmente ocultos, desfocados, pequenos no quadro ou capturados de perfil.
Além do futebol americano, a Canon adicionou novos recursos para vídeo, exibição de grid durante gravação, ajustes avançados de AF e melhorias na conectividade Wi-Fi das câmeras.
O avanço mostra como fabricantes de câmeras estão incorporando IA cada vez mais especializada para esportes específicos, aproximando os sistemas de autofoco de aplicações antes restritas a soluções profissionais de transmissão esportiva.
Repercussão entre fotógrafos de futebol americano no Brasil
A novidade também gerou debate entre profissionais que atuam na cobertura da modalidade no país. Para Yan Barros, a tecnologia pode representar um avanço prático em situações específicas de jogo, embora ainda desperte curiosidade sobre seu desempenho em cenários mais complexos.
“Em jogada isolada, um RB correndo, o autofoco da Canon já funciona bem. Mas estou curioso pra ver na trincheira com o QB em ação”, comenta Yan Barros.
Já o fotógrafo Chiarini Jr. adota uma visão mais crítica sobre o avanço da automação no processo fotográfico esportivo. Para ele, o excesso de inteligência artificial pode reduzir o papel do fotógrafo na captura da imagem.
“Sou contra estes excessos, pois pra mim, mata o fotógrafo. A câmera faz tudo sozinha. É impossível errar. Uma foto com um equipamento destes não é mérito do fotógrafo, é mérito da Canon. Sou do milênio passado. Talvez eu seja alguém ‘ultrapassado’, um ‘saudosista’. Mas gosto das coisas feitas ao modo antigo, onde o mais importante é a capacidade técnica e criativa daquele que opera o equipamento. Prefiro um erro humano a um acerto artificial, realizado pela tecnologia”, comentou Chiarini Jr.


