
O que nem rompeu-se totalmente voltou a ficar unido. A European League of Football (ELF) e a European Football Alliance (EFA) anunciaram um acordo para reunificar o futebol americano profissional na Europa a partir da temporada 2026. As duas organizações vão operar sob um novo modelo de governança, liderado pelos próprios times, com foco em estabilidade, transparência e crescimento de longo prazo.
A EFA foi uma reação de parte das equipes da ELF em relação à falta de transparência financeira da Liga e a diferença de governança entre as equipes. Uma das dissidentes, a equipe do Madrid Bravos, fazia parte da EFA. O Salão Oval esteve em Madrid na semana em que a NFL fez seu jogo histórico na capital espanhola e perguntou ao capitão da equipe sobre a situação.
Futebol Americano na Europa: Como vai funcionar a ELF em 2026?
Clubes e acionistas passarão a dividir a gestão da liga por meio de um Board of Governors, responsável por decisões como formato de competição, planejamento e orçamento, direitos de mídia, estratégia comercial e expansão para novos mercados europeus, com padrões unificados de transparência e auditoria. A ideia é alinhar interesses, reduzir ruídos políticos e oferecer um produto mais consistente para torcedores, jogadores, técnicos e parceiros comerciais.
Com a reunificação, as entidades prometem um quadro estável de equipes, calendário previsível, padrões mais altos de transmissão e uma experiência de jogo mais uniforme em diferentes países. Grupos de trabalho já discutem a composição da liga em 2026, o formato do campeonato, o calendário e protocolos operacionais. A lista final de participantes da próxima temporada será anunciada nas próximas semanas.
> Confira a íntegra do comunicado oficial da ELF sobre a reunificação
Futebol americano na Europa: da ruptura ao recuo
O acordo vem após um período de turbulência, em que parte dos times rompeu com a direção da ELF, passou a se organizar sob o guarda-chuva da EFA e chegou a planejar o lançamento de uma liga rival na Europa. Eles exigiam mais transparência e efetividade financeira para estabilidade de todos os times.
A pressão e o anúncio de parte das equipes em romper e criar a EFA levou o comissário da ELF, Patrick Esume, a renunciar ao cargo ao término da temporada, em setembro deste ano.
O anúncio conjunto atual encerra esse capítulo e recoloca o projeto em uma estrutura única de liga profissional no continente.
Sustentabilidade financeira em foco após caso Stuttgart Surge
A discussão sobre governança e estabilidade financeira ganhou ainda mais peso depois do caso do Stuttgart Surge, atual campeão da ELF, cujo clube-operador American Football Club Stuttgart GmbH entrou com pedido de insolvência em novembro de 2025, colocando em dúvida o futuro da franquia apesar do título recente.
O episódio, que também resultou na saída do head coach campeão Jordan Neuman, expôs a fragilidade de alguns modelos de gestão e reforçou a necessidade de uma estrutura de liga que ofereça mais previsibilidade e controle sobre a saúde financeira das organizações.
Nesse contexto, a reunificação entre ELF e EFA e o novo modelo de governança proposto para 2026 são apresentados como tentativa de tornar o campeonato mais sustentável e reduzir o risco de novas crises fora de campo.
Lições para o Futebol americano no Brasil?
O futebol americano europeu não rompeu como o brasileiro, que teve duas ligas desde a volta da pandemia até o ano passado. Mas o que ele busca é algo claro e objetivo, que o FABR também deveria buscar: padronização do campeonato e estabilidade financeira.
Para isso, nem todos os times do continente e nem de todos os países participam da ELF. Os que não participam por não terem condições, jogam seus campeonatos nacionais (que seriam equivalentes aos estaduais no Brasil).
Resta saber se a busca por um produto de realmente alto nível e padronizado por cima não iria cortar a unidade do esporte nacional coletivo que tem em sua primeira divisão todas as regiões do país. Fica a reflexão para os dirigentes do FABR analisarem.
