CBFA decide ter nacional próprio e FABR volta rachado em 2022

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Com a decisão da CBFA de ter o seu próprio campeonato, o futebol americano do Brasil retorna a ter duas competições nacionais depois de seis anos Imagem: CBFA

Em 2016, a Superliga Nacional teve o mérito de unir em apenas um campeonato todas as equipes de futebol americano em uma só competição nacional e o FABR conheceu finalmente o seu único campeão – que naquele ano foi o T-Rex. Antes disso, a Confederação Brasileira de Futebol Americano e Torneio Touchdown dividiam as atenções – e as maiores equipes do esporte – em duas competições paralelas.

Em 2017, 2018 e 2019, o torneio deixou de ser a Superliga e passou a ser a Liga BFA, gerida pelas equipes. A pandemia chegou, as gestões tanto da BFA e da CBFA mudaram e 2022 chega com o cenário em que haverá sim, no mínimo, duas competições nacionais.

Em apuração prévia com os últimos campeões, a situação está dividida: há times já fechados com a BFA, outros tendem a disputar a CBFA e ainda quem afirma que disputará as duas competições. A BFA irá se pronunciar oficialmente à noite e retornaremos com outras notícias repercutindo o racha do FABR ainda nesta quinta.

> Marcel Dantas assume rédeas da BFA e garante edição de 2022

Confira abaixo a íntegra do comunicado oficial da CBFA

A CBFA – Confederação Brasileira de Futebol Americano como órgão máximo do esporte em território nacional, reconhecida pelo Ministério da Cidadania – Secretaria Especial do Esporte, e devidamente filiada a IFAF – International Federation of American Football, tem como suas principais funções a organização e fomento do Futebol Americano e Flag Football em todo o Brasil.

Neste sentido, no estrito cumprimento dos seus deveres e funções conforme estatuto, a CBFA oficializa que a partir de 2022, voltará a ser a responsável por gerir e realizar o Campeonato Brasileiro.

Essa decisão não foi tomada da noite para o dia, o tema foi amplamente refletido e discutido dentro de nossa diretoria e entes filiados.

Por diversos motivos explanados em Carta Aberta pela presidência da Confederação e sobretudo, para defender os interesses e patrimônios da Confederação Brasileira de Futebol Americano, que tomamos essa importante decisão e vamos executá-la a partir do próximo ano.

Confira abaixo o teor da carta aberta:

Prezados Senhores,

Na data de hoje, a Confederação Brasileira de Futebol Americano soltará uma nota oficializando que, a partir de 2022, voltará a ser a responsável por gerir e realizar seu próprio Campeonato Brasileiro.
Essa decisão não foi tomada da noite para o dia, o tema foi amplamente refletido e discutido dentro de nossa diretoria e entes filiados.

Tendo em vista que:
– A CBFA, filiada à Internacional Federation of American Football, constitui entidade nacional de administração do desporto, sendo o órgão máximo do Futebol Americano no Brasil;

– a pandemia da Covid-19 teve fortes consequências em todo o mundo, e que em nossa comunidade não foi diferente. Muitos times estão precisando se reinventar e se reestruturar para a retomada de seus treinos e jogos;

– que o Brasil é um país continental, e que possui suas particularidades e diferenças;

– que o Brasil enfrenta uma grave crise econômico-financeira, e o atual preço dos combustíveis dificultará o deslocamento e viagens pelo país;

– o atual formato do brasileiro, não é de agrado ou unanimidade na escolha dos times;

– nunca houve uma chancela formal da Confederação para a Liga BFA ou à Associação de Clubes – ACFA;

– que a Liga BFA tomou de empréstimo a quantia de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) à Confederação Brasileira ,quantia essa que poderia estar em caixa custeando parte da ida das seleções brasileiras de flag football ao  Mundial em Israel ou também, sendo utilizada na organização e planejamento das próximas ações para os atletas, como o Brasil Onças Week. E que a proposta de pagamento deste valor está sendo agora negociado, mais de 2 anos depois, em 20 parcelas de R$ 2.000,00 à partir do segundo semestre de 2022;

– que a Liga BFA, deixou claro que não ter interesse em dar nenhuma contrapartida financeira à Confederação pelo direito de realizar o campeonato nacional;

– que apesar da eleição realizada empossando um novo presidente à ACFA – Associação de Clubes, o gestor do campeonato se mantêm o mesmo e esse, faz questão de desmoralizar a nossa diretoria, com ataques infundados e de cunho pessoal;

– que apesar de garantido pelo nosso Estatuto (Capítulo IX, artigo 99) “a denominação e os símbolos da CBFA e de suas representações são de sua propriedade exclusiva, contando com proteção legal, válida para todo o território nacional, por tempo indeterminado, sem necessidade de registro ou averbação no órgão competente, de acordo com o ART.87 da Lei 9.615/98, sendo vedadas às entidades filiadas, vinculadas e de prática disporem de quaisquer direitos sem a prévia concordância e autorização da CBFA”, no dia 07 de maio de 2021, a Associação Esportiva T-Rex de Futebol Americano, deu entrada no Pedido de Registro da Marca “Brasil Bowl” junto ao INPI. Marca essa que, ao longo dos anos é utilizada para denominação do jogo final do Campeonato Brasileiro de futebol americano. Questionados sobre os determinados processos de registro, a Associação informou que “o T-Rex pediu o registro da marca Brasil Bowl junto ao INPI para posteriormente cedê-lo, a título gratuito, para a Associação dos Clubes de Futebol Americano do Brasil ( CNPJ 29.791.075/0001-10), o que será feito assim que possível”. A Confederação já apresentou pedido de oposição aos processos;

– que atual gestão já realizou modificações na forma em como aplicar os recursos advindos da taxa confederativa. Atualmente todos os diretores, incluindo presidente, são voluntários prestando serviços à Confederação;

– que o custo do atleta confederado seria acrescido de mais R$ 100,00 (cem reais) para pagamento da inscrição  do atual campeonato da Liga;

– que dentre esses valores arrecadados pela Liga em 2019, mais de 40% são gastos em despesas de pessoal (vide relatórios oficiais apresentados);

– que em nossa gestão os valores arrecadados com a taxa confederativa, serão revertidos a própria atividade esportiva, à grosso modo nessa proporção:
50% destinados ao próprio campeonato nacional
15% destinado às seleções brasileiras
10% destinado ao desenvolvimento das categorias de base
15% destinado às despesas administrativas e operacionais
10% destinado para formação, pesquisa e aprimoramento das áreas técnicas, saúde e de regras

– que em nossa gestão, vamos priorizar outras formas de receita, principalmente através de  projetos via Lei de Incentivo Federal, como inclusive já temos 3 (três) aprovados e aptos para captação;

– que vamos desenvolver atividades de cunho social e de massificação de nossa modalidade;

– que pretendemos trabalhar em conjunto com as federações, dando melhores condições aos times que vão disputar o campeonato nacional;

– e que nossa diretoria, desde início da gestão vem se esforçando em algo diferenciado para mostrar através do trabalho, comprometimento e transparência, buscando empresas patrocinadoras e apoiadoras. Buscando apoiar e melhorar condições e estrutura para os atletas. Dando visibilidade a todas as modalidades que nos é competência, não só ao futebol americano, mas como também o flag football e e-sports

Por estes motivos listados, e sobretudo, para defender os interesses e patrimônios da Confederação Brasileira de Futebol Americano, que tomamos essa importante decisão e vamos executá-la a partir do próximo ano. A CBFA é e continuará sendo o órgão máximo do futebol americano no Brasil.

Vamos procurar implantar formatos mais adequados e menos custosos tendo em vista o tamanho de nosso país.

Muitos boatos ou comentários maldosos poderão surgir à partir dessa publicação, portanto me coloco desde já à disposição para quaisquer esclarecimentos.

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

1 COMENTÁRIO

  1. […] Com a decisão da CBFA em ter o seu próprio campeonato após seis anos, provocando um segundo racha no FABR (já que a BFA também garantiu sua quarta edição), ficou o questionamento se tal procedimento seria repetido, principalmente com o jogo do Brasil Onças já marcado para março de 2022. A divulgação da comissão técnica acontecerá nos próximos dias. […]

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