Vinny: “O Carioca Bowl é fundamental para o FA no Rio”

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Rodrigo Pons, o Vinny, recebeu o prêmio de melhor jogador das mãos do dirigente Júlio Adeodato, na vitória do Brasil por 28 a 00 contra a Coreia do Sul no Mundial de 2015, em Ohio. Foto: Victor Francisco / Salão Oval

Há seis anos, em julho de 2015, a Seleção Brasileira Masculina de Futebol Americano fazia história ao participar de seu primeiro mundial da modalidade. O time selou sua participação com uma vitória (contra a Coreia, por 28 a 00) e duas derrotas (para a França, na estreia, por 31 a 06, e Austrália, no último e disputado jogo, por 16 a 08). Para relembrar a data, o Salão Oval produziu um vídeo especial, usando muitas imagens que não foram destacadas em nossa cobertura (apenas no Facebook) da época.

O vídeo trouxe lembranças para um dos destaques históricos da Seleção Brasileira, o wide-receiver Rodrigo Pons, o “Vinny”, que anunciou sua aposentadoria no último jogo da competição. Relembramos o exato momento com uma edição especial da coletiva de imprensa em que o jogador fez o anúncio, direto do histórico e icônico Fawcett Stadium, em Canton, Ohio (EUA).

Recordista de touchdowns da Seleção Brasileira, com seis anotados (recorde dividido com Heron Azevedo, wide-receiver do João Pessoa Espectros atualmente), Vinny topou uma entrevista em que comenta sobre sua decisão de aposentar-se e o futebol americano atual, tanto no Brasil como em seu estado natal, o Rio de Janeiro.

Salão Oval: Faz seis anos que o Mundial passou e agora você pode ver sua coletiva (quase que) na íntegra. Com o tempo passado, o que realmente ficou do futebol americano para você? Valeu a pena se aposentar e focar na carreira no marketing?

Rodrigo Pons “Vinny”: Primeiramente, muito obrigado por estar lá no Mundial cobrindo tudo e gravar essa coletiva. Eu nem lembrava mais o que tinham me perguntado. O que realmente ficou do futebol americano foram as amizades que tenho até hoje e as memórias das experiências vividas. E sim, valeu a pena parar de jogar naquele momento porque parei quando eu quis parar. Estava descontente com algumas coisas no esporte, sabia que já tinha chegado no topo do que era possível pra mim e estava em paz com isso.

SO: Nos anos anteriores à pandemia, o que você viu de evolução no futebol americano e o que poderia ser melhor?

Vinny: Depois que me afastei do marketing do Flamengo Imperadores em 2016 eu não busquei mais acompanhar o FABR. Só sei das informações que chegavam pra mim através de amigos que ainda estavam envolvidos. Pra ser sincero, vi uma evolução, ou tentativa de, na organização do esporte e pontualmente em alguns times. Mas olha a Seleção Brasileira, por exemplo: desde que parei de jogar, há seis anos, só teve um jogo (contra a Argentina – confira compacto no Youtube do Salão Oval). Não tem como ver isso como uma evolução.

Nesse meio tempo tivemos o Duzão indo pro Dolphins, mas ele é uma caso a parte. Ele é talentoso, tem um porte físico privilegiado e investiu bastante em sua evolução técnica treinando nos Estados Unidos em diversas ocasiões, se é que me contaram a história direito. Colheu os frutos do que ele mesmo plantou.

Pra ser justo, vejo alguns times treinando muito mais do que a gente treinava na minha época, principalmente na parte física. Isso é uma evolução.

SO: Vale a pena jogar futebol americano no Brasil? Você acredita que quem começa hoje tem um horizonte melhor ou ele ainda está distante?

Vinny: Claro que vale! Principalmente como diversão. O esporte ensina muito para qualquer pessoa, principalmente o esporte coletivo. Se sua pergunta é relacionada a um horizonte de viver do esporte como atleta, acho que ainda estamos muito longe. Mas isso vale para o futebol americano em quase todos os países do mundo. Só uma pequena parcela de jogadores recebe pra jogar em alguns times, mas a grande maioria ainda vai continuar pagando pra jogar. E isso só muda com mais organização, pessoas sérias administrando os times, federações, ligas e confederação. O foco deveria ser em ensinar crianças e jovens a se divertir e gostar do futebol americano, tornando-os consumidores não só da NFL, como também do FABR. Com um aumento do interesse do público, pessoas competentes para construir valor junto às empresas, patrocínios podem se tornar uma realidade para o esporte.

O (Professor) Cláudio Telesca faz um trabalho excelente há uns 20 anos, se não me engano, em São Paulo apresentado crianças ao flag em escolas. É um primeiro contato que pode levá-las a continuar praticando e consumindo o esporte. Assim como ele, o Lynho já fez um trabalho parecido no Rio e o Neto faz isso nas escolas que trabalha. Com certeza, existem diversas pessoas fazendo isso por todo o Brasil por pura paixão ao esporte, mas só isso não é suficiente. Os times e federações precisam se envolver nisso também, sabendo que não é algo que vai trazer resultados a curto prazo.

SO: Você é um dos “artilheiros” históricos da Seleção com seis TDs, junto com o Heron? A marca é algo importante ou é só uma estatística?

Tenho muito orgulho em ser o artilheiro da seleção brasileira até hoje junto com o Heron. Não achei que essa marca fosse durar tanto tempo, porque são só seis touchdowns. Eu quero que a seleção volte a jogar, e com frequência. Daqui a pouco nos ultrapassam e ficarei feliz pelo esporte estar se desenvolvendo no Brasil.

SO: E o Flamengo, que momentos ficaram na memória? E o que o time tem que fazer para voltar a ser um dos protagonistas do FABR?

A maioria dos bons momentos que ficam na memória são fora de campo. Dentro de campo, são os títulos brasileiros em 2009 como Rio de Janeiro Imperadores sendo MVP e o de 2011 como Fluminense Imperadores no Couto Pereira contra o Crocodiles. E também todos os jogos com a camisa Flamengo por ser meu time do coração e por ter uma torcida presente em todos os estádios do Brasil que jogamos.

Para o time voltar a dominar o FABR precisa de uma safra de jogadores acostumados a serem protagonistas e decidirem jogos. Foi assim que o time foi criado, com os melhores jogadores das areias do Rio se juntando com o objetivo de ser campeão brasileiro. Nessa época, o Carioca Bowl tinha cerca de 16 times e muita rivalidade. O Flamengo deveria estar selecionando jogadores dos times da praia.

Paralelamente, a escolinha para crianças deveria voltar com pessoas capacitadas pra ensinar e termos um projeto como o Rio Football Academy que o Mamão (quarterback histórico da Seleção Brasileira) começou há anos atrás e vinha fazendo um trabalho muito legal com os jovens. Infelizmente, o que vejo hoje são “jogadores” mais preocupados em tirar foto de uniforme pro Instagram do que em jogar bem e decidir jogos, mas não estou falando apenas do Flamengo nesse caso. É uma crítica geral.

Salão Oval: E o Carioca Bowl? Tem que voltar?

Vinny: Acho que minha resposta anterior já responde essa. O Carioca Bowl é fundamental para o futebol americano no Rio de Janeiro. É onde os jovens podem aprender a jogar sem o custo de equipamentos e viagens, ter uma sequência grande de jogos e, caso se destaquem, podem pensar em jogar nos times de grama no campeonato brasileiro. Se não quiserem ou não forem bons o suficientes, podem continuar ali se divertindo e jogando com os amigos que vão fazer. E não tem nada de errado nisso. Jogar no Flamengo Imperadores, Crocodiles, T-Rex e Espectros, citando alguns, não é pra qualquer um, não é pra quem quer, é, ou deveria ser, pra quem merece.

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