Especial pandemia: as consequências na elite da BFA – Conferência Sul

Com Maurício da Silva Junior

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A pandemia paralisou o mundo esportivo em 2020 e com o futebol americano nacional não foi diferente

De forma inevitável, as consequências da pandemia do Covid-19 estão sendo sentidas pelo futebol americano no Brasil desde março. Com a necessidade de isolamento social, passamos pela suspensão de todos os campeonatos e de grande parte das atividades das equipes.

O período de quase seis meses nesta situação possivelmente seja mais longo do que a maioria da comunidade imaginava no início da pandemia; e ainda não há perspectiva de retomada do esporte de forma sustentável.

Para entender os impactos sofridos nesses últimos meses, abordamos todas as equipes da BFA Elite para um mosaico desta atualidade tão peculiar. Nesta matéria, abordamos as sete equipes da Conferência Sul, além do Istepôs, rebaixado em 2019.

Igor Rick, presidente do T-Rex, atual bicampeão da conferência e vice-campeão da BFA, comenta que a equipe vem trabalhando para, dentro das possibilidades, minimizar as consequências da pandemia. No entanto, algumas perdas foram inevitáveis, com atletas retornando a suas cidades de origem, perda de receitas e, consequentemente, investimentos que estavam planejados.

“Administrativamente falando, estamos redefinindo todos os setores da entidade […] O T-Rex possui uma cultura muito forte e definida. Às vezes precisamos nos reconectar a ela para entender e definir as lideranças certas para que a cultura não seja distorcida; […] O T-Rex estava crescendo, mas não muito equilibrado. Esta situação está nos dando equilíbrios que poderiam futuramente causar rupturas”, complementa Igor.

Ainda para 2020, Igor indica que alguns programas e atividades estão sendo desenvolvidos e serão divulgados em breve. Para 2021, o T-Rex conta com a possibilidade de utilização dos recursos provenientes de projetos de Lei de Incentivo ao Esporte. Por fim, revela que o time recebeu convite para disputa de um campeonato internacional no México, mas ainda sem confirmação (diante da pandemia) da sua realização.

Jonas Hartmann, presidente do Soldiers, atual vice-campeão da conferência, destaca que o município de Santa Maria recebe muitas pessoas de outros localidades, devido ao envolvimento com a Universidade federal e o batalhão do Exército. Como as atividades nestes locais foram prejudicadas devido ao período de isolamento, muitos atletas (alguns membros da comissão técnica) retornaram as suas cidades e estados.

Os recursos mensais recebidos de patrocinadores também foram suspensos no período de paralisação das atividades da equipe, que buscou manter o vínculo dos jogadores e a atração deles pelo esporte, incentivando os coordenadores para manter atividades online e treinos físicos a distância.

Administrativamente, Jonas destaca que a equipe havia eleito uma nova diretoria “descentralizada” para esta temporada, e mantém o grupo com aproximadamente 20 pessoas envolvidas no processo. “Apesar dos pesares, 2020 foi um ano excelente para o time. Estávamos com desorganização administrativa e tivemos percalços financeiros […] Sabíamos que o ano de 2020 seria muito apertado para nós por questões econômicas e de elenco”, acrescenta.

Por fim, Jonas, espera que, para 2021, se houver campeonatos de forma regular, a equipe irá trabalhar para buscar jogadores de alta performance “para que os nossos jogadores que voltaram para suas casas retornem ao time e, assim como já fizemos com alguns, tentar encaixá-los na questão educacional e profissional para criarem raízes em Santa Maria e desenvolver ainda mais nosso time”, finaliza.

Rodrigo “Max” Zandoná, presidente do Paraná HP, que alcançou os playoffs da conferência em 2019, relata que a equipe passará por um longo período de reestruturação, pois o time sempre foi muito competitivo e a paralisação das competições afetou muito a motivação de todos. Max relata que a questão financeira também foi muito prejudicada, com a perda de possíveis investimentos devido à crise.

Diante da impossibilidade de realização de treinos coletivos, Max comenta que os atletas foram liberados para aproveitarem melhor o momento com suas famílias, tendo em vista que muitos continuaram com suas atividades profissionais normalmente. No entanto, alguns estão mantendo o condicionamento por conta própria.

Administrativamente, a diretoria está passando por reformulação para melhorar a eficiência da gestão quando as atividades normais forem retomadas.

Questionado sobre as expectativas para 2021, Max segue com a mesma ansiedade e incerteza de todos envolvidos com o futebol americano: “Que possamos voltar às atividades, pois até agora não temos nada de concreto, nem datas, nem possibilidades, apenas previsões baseadas em achismos!”

Luiz Gustavo Goedert, o Guga, vice-presidente do Black Hawks, que chegou aos playoffs da BFA 2019 logo em seu primeiro ano na Elite, relata que a equipe aguarda o retorno dos treinamentos para analisar baixas no elenco. A utilização das verbas de patrocínios captados em 2020 foi adiada para a próxima temporada devido à paralisação das atividades.

Guga acrescenta que treinos online foram mantidos durante os dois primeiros meses de pandemia, mas suspensos devido ao prolongamento do período de isolamento e à impossibilidade de retorno do head coach Rodrigo Rios. No entanto, administrativamente, a equipe permanece em atividade na busca de reforços para a próxima temporada e captação de novos patrocinadores.

Tentando extrair alguma “boa experiência” da situação, Guga comenta que a importância dos treinos online foi bastante enfatizada durante esse período, já que alguns atletas não estavam ambientados a plataforma e agora tem isso como “normal”, o que pode colaborar com o desenvolvimento técnico no futuro.

Questionado sobre as pretensões esportivas da equipe para 2021, espera “fazer um 2021 melhor que foi 2019”, finaliza.

Adan Rodriguez, presidente do Crocodiles, indica que ainda não é possível mensurar o impacto causado pela paralisação das atividades, mas reconhece a completa perda de renda que seria gerada nos jogos da equipe no Croco Stadium e pelo aluguel do espaço a outros times da região.

Como os demais adversários, Adan relata que também estão sendo realizados treinos e reuniões online para manter a interação entre os atletas. Questionado sobre um “lado positivo” da situação, destaca que o longo período de paralisação está permitindo a plena recuperação de lesões em vários atletas, e acrescenta:

“A gente tem que sempre olhar pelo lado positivo. Infelizmente, nem tudo é como a gente espera, mas com essa pandemia a gente conseguiu gerir várias coisas, a gente analisou bastante o que a gente fez de certo e de errado, seja dentro ou fora do campo. Então, este tempo está sendo bem aproveitado pelo Crocodiles”.

A respeito das expectativas para a próxima temporada, Adan demonstra confiança: “Todo ano o Crocodiles entra para ser campeão em qualquer competição que ele participa, e 2021 não será diferente. 2020 a gente começou com uma equipe muito boa, e realizou apenas uma partida no estadual, contra o HP, e saiu vitorioso. E espero manter essa mesma essência ou uma essência melhor ainda para 2021. Então, pode esperar que o Crocodiles virá bem forte”, finaliza.

Everton Gnewuch, presidente do Breakers, também relata a desmobilização natural provocado pelo isolamento devido ao impacto dele na vida pessoal e profissional das pessoas. “Embora estejamos mais presentes com nossos entes mais próximos, o lazer foi tirado das pessoas, a liberdade de praticar esportes coletivos também, isso muda muito a forma de enxergar as coisas daqui pra frente”.

Os treinos individuais da equipe permanecem mantidos, mas Everton reconhece a perda de qualidade por conta da impossibilidade de utilização de espaços adequados. A equipe também está mantendo encontros online, que devem permanecer após a pandemia.

Everton espera aumentar as atividades na equipe para a próxima temporada, e alguns projetos estão em andamento. Por fim, acredita que o esporte passará por “uma mudança grande na cultura” e “os times precisam se apoiar nos próximos meses, pois a volta não vai ser igual para todos, tampouco deverá ter a qualidade apropriada. Logo, devemos perceber e agir o mais rápido para nos adaptar, afinal de contas temos uma ideia do que pode acontecer, mas se vai acontecer só tempo nos dirá”, finaliza.

Jackson Menezes, presidente interino do Brown Spiders, que retorna à elite nacional do futebol americano neste ano, relata que a diretoria está trabalhando na reorganização administrativa e revisando os projetos previstos para a passagem dos 20 anos da equipe em 2021. “Estamos focados na gestão para os próximos anos, fortalecendo patrocinadores, apoiadores e projetos futuros”, acrescenta.

Com relação ao plantel, relata que ainda não teria ocorrido perda de atletas, com exceção aos estrangeiros que viriam neste ano, mas adianta que eles devem retornar para a próxima temporada. Como nos demais times, a comissão técnica também manteve treinos virtuais com os jogadores.

Jackson finaliza citando que o este período de paralisação foi “positivo” para dar fôlego e ânimo novo à gestão dos projetos para 2021. “Agora, apesar de ter parte dos incentivos “congelados”, conseguimos nos preparar para os próximos anos”, finaliza.


Vinicius Hames, presidente do Istepôs, rebaixado em 2019 para a BFA Acesso, relata que o plantel também não possui baixas confirmadas em relação àquele ativo até a paralisação das atividades em Março. Com relação a investimentos, a equipe atualmente não conta com patrocinadores diretos, possuindo apoios em sistema de permuta, sobre os quais também não sofreram perdas até o momento.

Os treinamentos da equipe também foram mantidos de forma online, mas a frequência foi reduzida com o passar do tempo e falta de perspectiva de retorno das atividades presenciais. No entanto, Vinicius destacou trabalho que vem sendo desenvolvido com um árbitro do quadro da FCFA, em reuniões semanais para abordagem do livro de regras. “Vimos que mesmo atletas experientes não possuem completo domínio e em momentos cruciais esse fator pode ser decisivo entre uma vitória ou derrota”, acrescenta.

A diretoria vem mantendo reuniões quinzenais traçando os planos para a retomada das atividades, adotando a atual previsão para Fevereiro. Questionado sobre as pretensões esportivas para a próxima temporada, Vinicius finaliza indicando que “são as mesmas planejadas inicialmente para o ano de 2020, que é o retorno a elite da BFA esse será o grande foco esportivo do Istepôs para 2021”.

> Veja como classificação final da Conferência Sul da BFA Elite em 2019
> Protocolo de retorno às atividades – CBFA

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