Congresso tenta revitalizar tradicional FA amazonense

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Renner Silva, que organiza o Congresso Amazônico de Futebol Americano, está à frente do programa do Manaus FA há cinco anos. Foto: Arquivo Pessoal / Renner Silva

O futebol americano no Amazonas é um dos mais tradicionais do Brasil. Apesar das duas últimas edições do campeonato estadual terem sido um desastre, com brigas internas e disputas que aconteceram fora e não dentro do campo, o estado teria completado 14 edições do certame – o que o colocaria em pé de igualdade com Santa Catarina.

E mesmo em meio à maior pandemia em um século e na primeira cidade brasileira a sentir pesadamente os efeitos das mortes pelo novo coronavírus, Renner Silva busca uma alternativa para revitalizar o futebol americano no estado. Para isso, inspirou-se nas edições dos Congressos Brasileiros de Futebol Americano para fazer uma edição amazonense – o Congresso Amazônico de Futebol Americano.

Foram convidados como palestrantes Lucas Rossetti, diretor da Score Gestão Esportiva, idealizador dos congressos nacionais, além de representantes de alguns dos mais tradicionais e bem-sucedidos programas de futebol americano do Brasil, como T-Rex, Cuiabá Arsenal e Sorriso Hornets. “O Congresso Amazônico de Futebol Americano é um evento importante para a estruturação e desenvolvimento do cenário esportivo da Região, sabemos que o evento foi inspirado pelos congressos que a Score organiza e isso nos enche de orgulho, estarei presente para dividir a experiência e ser testemunha dos reflexos dos Congressos nacionais”, resumiu Rossetti.

Confira a programação em nossa postagem no Instagram: 

Hoje presidente do Manaus FA, time que levou o título da BFA Norte em 2019 (confira o vídeo da transmissão da final, direto da Arena da Amazônia), Renner Silva acredita que o evento presencial com figuras nacionais do FABR trará um efeito benéfico para os dirigentes locais.

Para ele, através do contato e networking das melhores práticas e ideias do FABR, o futebol americano em Manaus pode reflorescer, além de influenciar times de outros estados da região. “Já temos inscritos de outros estados, como Roraima, Rondônia e Pará”, esclareceu. Confira a entrevista com o dirigente:

Salão Oval: Qual é o objetivo do Congresso?

Renner Silva: O congresso tem como objetivo de levar às equipes do Norte do País e, principalmente do estado do Amazonas, um panorama da realidade de como o futebol americano é gerido pelos projetos mais bem sucedidos do Brasil. Nos últimos anos, apenas uma equipe do Amazonas conseguiu se desenvolver e vencer etapas de competições nacionais, quando o ideal seria que todas as equipes pudessem ter o mesmo nível de desenvolvimento técnico e de gestão para terem a mesma oportunidade.

Salão Oval: Por que fazê-lo presencialmente, diante de todo o risco da pandemia e de pessoas ficarem doentes ou serem vetores da doença, em um cenário em que virtualmente ele poderia ser feito (como o Encontro dos Gestores)? Além disso, não seria muito mais econômico?

Renner Silva: Como gestor e participante de cinco edições dos congressos organizados pela SCORE, o evento presencial, no meu ponto de vista, trás mais benefícios e aprendizado, principalmente por conta do contato antes, durante e depois do congresso. Tivemos o congresso brasileiro online esse ano, e, apesar de ter sido excelente, não tivemos a interação que fez com que o congresso técnico e de gestores seja o sucesso que é hoje. Financeiramente, é muito mais caro, pois precisamos trazer os palestrantes de regiões bem distantes, além de todo custo operacional, porém, não estamos pensando no lado financeiro, e sim no legado que o evento pode deixar para a modalidade na região norte. Ter representantes de T-Rex, Arsenal, Sorriso e da Score da um peso significativo ao congresso, além de estudiosos como Paulo Barcelos e Ygor Martins, ambos do Amazonas. Ainda teremos a presença in loco da atual presidente (interina) da CBFA, Marcelli Bassani, que faz questão de vir a Manaus. Aqui no estado, nos encontramos em um ciclo diferente do restante do País. Não que a pandemia tenha sido vencida em Manaus, mas os riscos são bem menores, proporcionando que eventos deste porte possam ser realizados. Além disso, serão tomadas todas as medidas de segurança sanitária desde a chegada dos palestrantes até o local do evento, com a presença máxima de 50 pessoas, respeitando todos os protocolos.

Salão Oval: O futebol americano no amazonense é um dos mais antigos do Brasil e poderia igualar o catarinense em edições do campeonato estadual, com 14. Mas as últimas duas edições não terminaram dentro de campo. Qual o problema do estado?

Renner Silva: Tivemos um grande conflito de interesses que abalou por completo todo o nosso cenário. A forma de como era feito o esporte antigamente entrou em conflito com um novo formato de gestão do esporte. Pessoas que se beneficiavam financeiramente do esporte começaram a perder espaço, dinheiro, e por conta disso, surgiram esses vários conflitos que culminaram com o encerramento precipitado de duas edições do campeonato estadual. Atualmente, pessoas que não estavam se enquadrando com esse novo momento, fizeram o favor de se afastar em definitivo, dando lugar a outros gestores que realmente querem fazer o esporte crescer na região. A atual diretoria da FEFAAM (Federação de Futebol Americano do Amazonas) em conjunto com os demais gestores das equipes, estão trabalhando pela primeira vez em conjunto, trazendo resultados nunca vistos. Hoje, posso afirmar que iremos dar a volta por cima e transformar esse esporte em vitrine para as demais modalidades amadoras no estado do Amazonas.

Salão Oval: O que o Congresso pode influenciar em uma melhor estruturação do FA no estado?

Renner Silva: Quando eu pensei em um congresso feito aqui na região, pensei na oportunidade que eu tive no início da minha trajetória no futebol americano e gostaria muito de proporcionar a mesma oportunidade que eu tive nesses cinco últimos anos para as outras equipes. Nesse momento, não posso pensar apenas no meu projeto, no Manaus FA, e sim em uma evolução técnica e de gestão para todas as equipes, trazendo principalmente para a principal liga do País, a BFA, confiança no trabalho desenvolvido por toda as equipes, principalmente as do Amazonas. Espero de coração que todas as equipes possam absorver todas as informações expostas no Congresso, e adaptem as suas realidades, assim como fiz com minha equipe.

Salão Oval: O FA no Amazonas ficará sempre concentrado em Manaus? Quais as dificuldades para a expansão no restante do estado?

Renner Silva: A federação local tem um projeto de desenvolvimento de outras equipes nas cidades da região metropolitana. Em pelo menos quatro municípios próximos de Manaus, existem a possibilidade de criação de projetos de futebol americano e isso já estava sendo desenvolvido pelo último presidente, porém, foi interrompido com a sua renúncia. Já está em fase de organização uma nova equipe em Manaus, e, em 2021, esperamos ter a primeira equipe de fora de Manaus participando do campeonato estadual.

Serviço: Congresso Amazônico de Futebol Americano

Quando: 19 e 20 de setembro

Onde: Arena da Amazônia, Manaus

Inscrições: R$ 100,00 / pelo telefone (92) 98260-9191

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

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