Matheus Dias é o primeiro head coach brasileiro na Europa

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Curitibano de 32 anos é escolhido para comandar o Warsaw Mets, novo time da capital da Polônia Foto: Lukasz Skiot

A recém-criada equipe de futebol americano Warsaw Mets, de Varsóvia, capital da Polônia, anunciou no dia 8 de outubro o curitibano Matheus Dias no cargo de head coach. Com experiência no Brasil, Estados Unidos e Europa, Dias é o treinador principal da equipe e também acumula a função de coordenador defensivo.

Trata-se da quarta passagem de Matheus Dias por um time polonês. O curitibano chegou ao país em 2016 como coordenador defensivo do Warsaw Eagles e no ano seguinte, comandou a defesa do Wyszków Rhinos. Em 2018, Dias se juntou à comissão técnica do Wrocław Panthers, time bicampeão nacional e ranqueado entre as 15 melhores equipes da Europa. Durante a temporada com os Panthers, o curitibano atuou como coordenador dos times especiais e técnico da linha defensiva.

Os Mets são a principal novidade para a temporada 2019 da Liga Futbolu Amerykańskiego (LFA), principal competição da modalidade na Polônia. Criada com uma proposta diferenciada de gerenciamento e organização, a nova equipe de Varsóvia chega com a missão de unificar o quadro esportivo na capital e colocá-la novamente no mapa do futebol americano. Nas últimas temporadas, times de outras cidades polonesas como Gdynia, Wrocław e Białystok têm dominado a briga pelos títulos. Parte da dificuldade em Varsóvia se deve ao fato de a região já ter contado com até quatro equipes atuando ao mesmo tempo, precisando disputar por recursos e talentos entre si.

“O futebol americano estava perdendo espaço progressivamente em Varsóvia, e era de conhecimento geral que a única saída para voltar a vencer seria a criação de uma grande equipe”, explica o brasileiro. “É uma tendência que já ocorreu com sucesso em outras partes da Polônia e, inclusive, é incentivada pela liga”, completa, ao comentar sobre a filosofia “um time, uma cidade” adotada pela LFA.

Tentativas de fusão entre times da capital não passaram da mesa de negociação em 2016 e 2017. O Warsaw Mets surgiu, então, não como uma fusão por parte das diretorias, mas sim uma iniciativa de atletas de equipes como Warsaw Sharks e Monarchs Ząbki.

A temporada 2019 da LFA está marcada para acontecer entre março e junho. Apesar das altas expectativas, o treinador ressalta que o objetivo está em construir um projeto duradouro. “Minha missão é contribuir para estabelecer uma sólida base de conhecimento tático e técnico para que a equipe consiga crescer e ter consistência em seu sucesso. Não existem milagres no futebol americano, é preciso transformar a cultura de um grupo de jovens atletas, com base em dedicação e disciplina”, comenta.

Carregando a bandeira brasileira

Apesar de a modalidade estar em alta no Brasil, ainda é raro ver atletas ou técnicos brasileiros em posições de destaque fora do País. No entanto, Dias já está acostumado ao pioneirismo e acumula importantes marcas em sua carreira no futebol americano. Como jornalista, sua profissão de formação, foi um dos primeiros repórteres de veículo impresso a cobrir in loco múltiplas edições do Super Bowl. Em 2014, se tornou um dos primeiros técnicos “formados” pelo FA brasileiro a atuar nos Estados Unidos, quando foi aceito na comissão técnica da West Philadelphia High School, na Pensilvânia.

Em um mercado de trabalho dominado totalmente por americanos, Matheus Dias acredita que ter aprendido a jogar e treinar futebol americano no Brasil teve suas vantagens. “Apesar de falarmos línguas diferentes e virmos de lugares diferentes, somos todos membros de um mesmo grupo: o de pessoas loucas o suficiente para amar futebol americano mesmo não tendo nascido e crescido nos EUA”, diz. “Conheço a realidade e as dificuldades que meus atletas enfrentam para conciliar suas vidas pessoais com a prática do esporte, e muitas vezes esses detalhes passam despercebidos por técnicos americanos.”

O que o Brasil pode aprender com a Polônia

Mesmo morando longe do País, Matheus Dias segue de perto a evolução da modalidade em sua terra natal. Afinal, o treinador fez parte de um dos momentos mais importantes da breve trajetória brasileira do esporte, como um dos atletas participantes da histórica primeira partida da modalidade full pads realizada no Brasil, em 25 de outubro de 2008. Se tratando de história, a Polônia está apenas dois anos à frente, mas o treinador acredita que há vários modelos praticados no Velho Continente que poderiam ajudar a evolução do esporte no Brasil.

“O Brasil tem uma gama enorme de talento, mas os times daqui parecem estar à frente no quesito organizacional”, compara. “Na Polônia, já existe uma mentalidade de que o futebol americano deve ser tratado com um modelo de negócios, e através da exposição de marcas de patrocinadores é possível fornecer mais estrutura aos atletas e fortalecer a imagem do esporte como um todo”. Segundo Dias, grande parte da evolução na Polônia se deu ao fato de as diretorias investirem em contratar técnicos e atletas americanos com o objetivo de elevar o nível técnico de instrução e competição.

“É a velha história de dar o peixe ou ensinar a pescar”, ilustra. “O Brasil está no caminho certo, cada vez mais trazendo técnicos e atletas de fora e começando a valorizar aqueles brasileiros que têm conseguido adquirir experiência no exterior. O futuro pode ser brilhante para o futebol americano no Brasil quando todos compreenderem que não se trata apenas de um hobby, e é preciso encarar o esporte como um ‘business’”, explicou Matheus Dias.

Texto: Divulgação

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

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