Insatisfeito com regra de transferência, Mooca deixa SPFL

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O Mooca Destroyers não entrará em campo pela SPFL 2019 Foto: Cacá Constantinov / Salão Oval

A grande polêmica do primeiro semestre do futebol americano nacional, a regra de transferência ainda inexistente em parâmetros nacionais, volta à pauta com o anúncio do Mooca Destroyers em deixar a São Paulo Football League em 2019.

> Leia nota oficial do Mooca Destroyers sobre o desligamento da SPFL

A polêmica das transferências

No começo do ano, as contratações tanto de Galo FA quanto do agora extinto Cruzeiro Imperadores causaram reações contrárias de dirigentes nacionalmente. Tanto que a CBFA entrou em ação e anunciou um congelamento nas transferências.

Em resposta, os jogadores (principalmente os participantes de equipes da BFA), se mobilizaram para poder ter representatividade no debate e criaram a ABRAFA (Associação Brasileira de Atletas de Futebol Americano).

Com o ocaso do projeto do Cruzeiro Imperadores, o assunto ficou dormente por meses, até a Assembleia Geral da CBFA, promovida no Encontro Nacional de Gestores em São Paulo (dias 22 e 23 de setembro últimos).

Na Assembleia, a proposta da CBFA era de duas janelas anuais: “Haverá duas janelas nacionais para serem efetuadas as transferências de jogadores entre as Times/Associações, sendo uma em Janeiro e outra em Julho”. O documento ainda prevê várias situações sobre transferências de atletas não-profissionais e profissionais (que podem ter contratos a serem cumpridos).

A situação ainda está pendente para discussão com as Federações, como declarou o Diretor Administrativo da CBFA, Renner Silva: “A regra está passando por algumas adaptações sugeridas pelas Federações do Rio de Janeiro, Paraná e Pará. Após o término destas adaptações, as Federações irão se reunir novamente na segunda semana de outubro para a aprovação. Caso não apareçam mais ponderações, ela será aprovada até o dia 15/10 e publicada como nova regra a ser seguida a partir do dia 01/01/2019”, explicou.

Entenda a regra de transferências da SPFL

A regra da SPFL sobre transferências teve seu primeiro grande impacto quando o Palmeiras Locomotives pagou R$ 11.750,00 em multas para ter um atleta da Ponte Preta e mais um “pacotão” de reforços vindos do Corinthians Steamrollers, entre eles, o craque Branco Menezes (running back).

Desde então, a SPFL alterou a regra para restringir ainda mais a movimentação de jogadores entre os times, elevando o valor da multa a partir do terceiro jogador transferido (R$ 5.000,00 cada).

> Leia o regulamento completo da SPFL 2018

Procurada pelo Salão Oval, a SPFL respondeu com uma nota oficial:

“A liga tem como objetivo igualar os times e nela todos trabalham juntos para a evolução do esporte no estado de São Paulo.

Infelizmente um membro resolveu sair da SPFL, pois queria benefícios em uma regra que visa proteger as equipes de perder seus jogadores e o fez sem o diálogo, mas sim querendo impor mudanças que julgavam ser corretas e que beneficiava a própria equipe, deixando assim a regra de ser justa.

Agora temos mais uma vaga para uma nova equipe integrar a liga e iremos decidir entre as 15 propostas enviadas quem estará na elite do FA Paulista a partir de 2019.

A próxima edição da SPFL será a maior da história e contará com 16 participantes; os 3 novos integrantes serão anunciados em breve e serão equipes de alto nível que chegam para agregar valor a liga.

Desejamos, apesar de não concordar com a decisão, toda sorte do mundo ao Mooca Destroyers, com a certeza de que no futuro iremos nos cruzar novamente”.

Confira o depoimento enviado pelo presidente do Mooca Destroyers, Vinícius Vicente, o “Gibi”:

O que nos motivou a tomar essa atitude foi pensar no projeto Mooca Destroyers e em nossos atletas, pelos quais nos sentimos responsáveis. Somos um time novo e estamos trilhando o nosso futuro. Para isso, temos dois caminhos: desenvolver os atletas que já estão no time e captar jogadores que estão em atividade. Quando falo desenvolver digo preparar tanto os rookies que nos integram, seja por seletiva ou qualquer outro meio, quanto manter os veteranos motivados. Queremos criar um futuro sólido e sustentável.

(A ideia de sair) Começou há poucas semanas, quando pensando no planejamento para o próximo ano, nos deparamos com essas duas motivações. Não há tempo hábil para desenvolvimento de um time e a falta de captação de recursos para poder contratar atletas diante da atual regra de transferência. Foi um consenso da nossa diretoria, posteriormente exposto para SPFL antes de nosso desligamento.

Nosso planejamento que anos anteriores visava competições agora visa a preparação periodizada para a prática de um esporte de alto rendimento. O que eu quero dizer com isso: nos últimos anos, colocávamos a data limite de preparação como o início do campeonato e aí voltávamos no calendário encaixando a preparação do time. Neste próximo ano, nosso diretor de Esportes, Leonardo Pivetta, em conjunto com a nossa CT, estipularam que a nossa data limite é ter um time preparado e desenvolvido. A partir daí, voltamos no calendário com toda a periodização necessária para isso. Com certeza faz parte dessa periodização outras disputas, que publicaremos a todos no momento mais pertinente.

Não saímos da SPFL brigando com os demais times e durante nossa passagem pela Liga fizemos relações e acumulamos ótimas experiências. A Liga possui sua política para aceitação de times e se em algum dia num futuro for o momento de voltarmos, assim como for o momento da SPFL em aceitar novos times, não veria problemas. Porém nosso foco agora é em 2019.

> Saiba mais sobre o Mooca Destroyers na página especial da equipe

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

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