CBFA “congela” transferências diante de potências econômicas

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O presidente da CBFA, Rogério Pimentel, em janeiro, durante o Congresso Brasileiro de Futebol Americano Foto: Victor Francisco / Salão Oval

A grande movimentação de transferências para as duas atuais potências econômicas do futebol americano nacional causou uma reação brusca da Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA). A entidade anunciou um comunicado “congelando” as transferências entre equipes filiadas a partir de hoje, 28 de março. O “descongelamento” deve acontecer em até uma semana: “Esse ofício está determinando que nenhuma transferência seja realizada até a definição da regra de transferência em âmbito nacional, e esta definição deve ser tomada em torno de uma semana”, esclareceu o presidente da CBFA, Rogério Pimentel.

> Confira Ofício da CBFA sobre TRANSFERÊNCIA DE ATLETAS

Galo FA e Cruzeiro Imperadores já anunciaram dezenas de reforços vindos dos mais diferentes times nacionais, além de atletas americanos. O time alvinegro, por exemplo, tem dez jogadores que foram convocados para a Seleção Brasileira, após o anúncio dos reforços: Andrew Bernardini, Dhiego Taylor, Marcus Bunn, Igor Mota (com renovação em negociação), Marcus Tuleba, Pedro Henrique Medici, Raphael da Cruz, Victor Hugo “Mega”, Álvaro Fadini e Felipe Bortoli (anunciado hoje).

O Cruzeiro Imperadores já anunciou 12 jogadores, com destaque para Lenin Albuquerque (ex-Espectros), Ramon Martire (ex-Botafogo Reptiles), Patrick Dutton (ex-Flamengo Imperadores) e Felipe Marques (ex-Tubarões do Cerrado). A equipe tem ainda algumas outras contratações engatilhadas e que podem ser prejudicadas por esta medida.

Além das potências econômicas do esporte, o T-Rex também movimentou mais de uma dezena de reforços, com destaque para Romário Reis (ex-Caçadores), Pingo, Jesus Emanuel (ex-Espectros) e Karl Henry (ex-Cuiabá Arsenal).

A SPFL instaurou multas para limitar as transferências de jogadores em São Paulo, medida que causou certa polêmica entre os atletas e colocou o tema na pauta nacional.

Lei do Passe Livre

Como não há um contrato formal entre a maioria dos jogadores do FABR com suas equipes, há dúvidas sobre a validade legal da medida da CBFA. A lei que regulamenta as transferências esportivas no Brasil é a Lei 9.615 da Constituição, conhecida comumente como Lei do Passe Livre.

> Leia a Lei 9.615

Reações à medida da CBFA

Procuramos alguns representantes do FABR para se pronunciarem sobre a decisão.

Ricardo Pizzetta, Presidente da Federação Catarinense de Futebol Americano (FCFA): “Precisa existir uma diretriz nacional. As Federações e a Confederação estão discutindo para chegar a um ponto que possa atender todas as regiões, campeonatos e realidades das mais diversas equipes. Estamos nos esforçando e nos unindo em prol de uma Confederação mais forte e funcional. as federações estão todas focadas nesse objetivo. Logo teremos tudo funcionando como sempre deveria ter sido”.

Ricardo Trigo, Presidente do Corinthians Steamrollers e Administrador da São Paulo Football League (SPFL): “Eu implantei a regra de transferência em São Paulo. Fui cinco vezes para os EUA e me debrucei sobre o assunto por quatro anos. Fui à NCAA e na liga escolar da Flórida. Visitei os americanos junto com o representante Internacional da SPFL, Felipe Pereira. Muitos no Brasil criticaram e agora estão tentando implantar sem conversar com quem idealizou isso, quem implantou. Uma pena. Da forma que o representante de São Paulo que esteve na reunião me passou e da forma que eu entendi, é para inglês ver. Se for assim, não vai dar certo, prejudicando atletas e times. Mas fico feliz que São Paulo, que dá problemas para CBFA, segundo palavras do atual presidente Rogério Pimentel no Congresso em que esteve em São Paulo, está sendo copiado. Já é um grande avanço. Desejo sabedoria e inteligência para os envolvidos na implantação da regra. Pelo menos, alguma coisa está tentando ser feita a respeito e São Paulo continua na vanguarda de decisões como esta para o crescimento da modalidade”.

Lucas Rossetti, Organizador do Congresso Brasileiro de Futebol Americano: “Na minha visão, um engessamento do mercado é sempre prejudicial. Sempre que o Estado proíbe algo, nós da população reclamamos e não gostamos. A mesma coisa deve funcionar para o FABR; a liberdade de ir e vir não dever ser ferida, a oportunidade de jogar por um time diferente não deve ser fechada. Vale a leitura da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 da Constituição Brasileira: ela é a Lei que regulamenta uma série de mecanismos esportivos, que extingue o ”Passe do Atleta ” ou ” Direito Federativo”, dando aos atletas de todas as modalidades a liberdade de ir e vir.

Minha sugestão é que a partir do momento que um atleta apareça na súmula de qualquer equipe, ele está impedido de jogar AQUELE campeonato por outra Equipe que disputa o mesmo campeonato, estando livre para mudar de competição/Estado e time se assim desejar. Que cada Equipe possa inscrever apenas 70 jogadores por campeonato e que para ser registrada uma transferência junto a CBFA, deva haver um processo de:
1) Entrada de documentação por parte do time interessado;
2) Confirmação do atleta do processo de mudança;
3) Documento Oficial do Clube em que o atleta estava, garantindo que ele não tem dívida junto a equipe”.

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Editor-chefe do Salão Oval, maior plataforma de mídias destinada ao FABR, Social Media Journalist da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) e Social Media Editor para a Premier League (Campeonato Inglês de Futebol). Realizei coberturas nacionais pelas cinco regiões do Brasil e também nos EUA (Mundial de Ohio) e Perú (1º Torneio Guerrero de Los Andes), sempre acompanhando o futebol americano nacional de perto. Narrador e comentarista para o futebol americano nacional em diversas ocasiões (BandSports, Fox Sports e Globo Esporte.com), fui também jogador da Lusa Lions (flag 2008) e do Corinthians Steamrollers (2009 a 2012).

2 COMENTÁRIOS

  1. Esse Ricardo Trigo é um tremendo arrogante, regra deveria ser passe livre, mas com restrições semelhantes a NFL, caso não tenha cap, tenta implementar que já acaba com os super times.

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