Ataque Up Tempo no FABR: será que dá certo?

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Em primeiro plano, o head coach do Paraná HP, Carlos Copi Jr. Foto: Patri von

Não à toa, escolhi este tema para falar no 2º Congresso Brasileiro de Futebol Americano. O Up Tempo teve grande papel na revolução do Futebol Americano nos EUA nos anos 80.
Tentarei explicar melhor o motivo de tamanha importância e quais os entraves que encontramos para a implementação desse estilo de jogo aqui em terras tupiniquins.

Afinal, o que é Up Tempo?

Há alguns meses, escrevi um artigo ao Portal do FA abordando um pouco mais sobre o ponto de vista histórico desse tema. Mas, nesse artigo, tentarei ser mais aplicado ao nosso momento atual. Up Tempo, resumidamente, é a decisão de acelerar ao máximo possível a execução de jogadas do seu ataque.

Não confunda ‘no-huddle’ com ‘up tempo’

Muitos coaches separam esses dois conceitos. No-huddle é simplesmente mandar seu ataque direto para a formação, sem aquela tradicional reunião para combinar a jogada.
Já o Up Tempo é acelerar a execução, geralmente utilizando também do no-huddle (mas cito como exemplo o ataque de West Virginia de 2015, que eventualmente utilizava Up Tempo com Huddle para confundir ainda mais as defesas adversárias).

Exemplos de Up Tempo

Convido a todos para assistirem com mais atenção aos jogos de College Football, onde o Up Tempo domina boa parte dos maiores ataques. Para melhor analisarmos a velocidade de um ataque, a melhor e mais comum métrica é o tempo corrido entre snaps. Essa métrica é medida em segundos e os ataques Up Tempo buscam ter, em média, um snap a cada 20/25 segundos aproximadamente.

Como exemplo, trago dados da temporada passada (de 2016). Os ataques mais rápidos do College foram, em ordem: Missouri Tigers (17,2 segundos), Baylor University (19,1 segundos), California Golden Bears (19,3 segundos),, Mississippi State (20,2 segundos), e Texas Longhorns (20,4 segundos).

Beneficios do Up Tempo

Diversão ao público

O primeiro benefício é a atratividade. Coaches do FABR, pergunto a vocês: quantos snaps seu ataque faz por jogo? Aposto que dificilmente sua resposta será acima de 45. No College Football, ataques Up Tempo conseguem chegar a 85 snaps por jogo, em média. No Paraná HP, consegui chegar perto dessa marca com o Up Tempo.

Embora muitos não falem sobre o assunto, a verdade é muitos jogos do FABR ainda são muito chatos, enfadonhos para o público. Com o Up Tempo isso tende a mudar, pois elimina ao público a ‘chatice’ dos intermináveis huddles.

Maior nível técnico

Sim, o Up Tempo ajuda a aumentar o nível técnico! Explico… ao optar por um ataque Up Tempo (independente do sistema escolhido), o coach deverá simplificar esse ataque; afinal irá apostar na velocidade e qualidade e não mais na complexidade. Com menos jogadas para treinar, a execução delas será melhor e, com isso, haverá menor número de erros nos jogos.

Entraves para o Up Tempo no FABR

Este é o grande ponto que quero abordar com este artigo. Já sabemos dos benefícios que o Up Tempo traz ao FA (taticamente e também comercialmente). Porém, nem tudo são flores no caminho dos que se arriscam a usa-lo aqui no FABR.

Velocidade de comunicação entre coaches e atletas

Apesar de colocar aqui na lista, não o considero um entrave propriamente dito. Essa velocidade e qualidade de comunicação entre coaches e atletas é parte vital para fazer seu ataque funcionar em alta velocidade. Deve ser praticado em cada treino.

Staff em jogos

O pessoal que ajuda com os ‘pirulitos’ e com a reposição de bolas deve ser treinado para poder ser o mais ágil possível.

Arbitragem

Essa foi, de longe, a maior dificuldade que tive em 2017. A arbitragem paranaense evoluiu na questão, estudou e soube avançar em conhecimento sobre o assunto. Está muito próxima do que vi lá fora, nesse quesito.

Porém, em outros estados, enfrentamos muita resistência dos árbitros. Sem faltar respeito, mas Umpires de 130kg e Árbitros de Linha perdidos (inexperientes) não são capazes de realizar a função de trazer velocidade e atratividade ao esporte.

Jogo sujo

Infelizmente isso não deve ser surpresa aos coaches brasileiros, mas enfrentei muito jogo sujo de equipes adversárias para deixar meu ataque mais lento. Desde o Staff ser instruído a ser lento (quando jogamos fora de casa) a até atletas que entram em campo para simular lesão. Creio, no entanto, que com a evolução do esporte isso irá mudar. Busco ser apenas paciente sobre isso.

> Saiba mais sobre o 2º Congresso Brasileiro de FA, que será realizado no próximo sábado e domingo

1 COMENTÁRIO

  1. Lendo seu artigo vejo hoje a importância do trabalho, embora pequeno (minúsculo na verdade) que estamos fazendo em nossa escola de formação de atletas de flag para posterior ingresso em times full pad. Táticas ‘sujas” huddle lentos e muitos outros fatores contribuem para o deficit técnico dos times atuais e para a lenta evolução do esporte.
    Nosso coordenador ofensivo, Davi, tem arduamente trabalhado muito próximo do descrito em seu artigo e eu tenho treinado nossa defesa nesta mesma filosofia. Espero que, daqui a alguns anos, nossos jogadores estejam aparecendo no cenário nacional de FA e, quem sabe, este trabalho melhore a qualidade técnica.

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